“... o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida como resgate por muitos” (Mt 20,28).

Todos os anos durante a Quaresma e na Semana Santa retorna aos nossos lábios um antigo canto que diz:Pecador agora é tempo de contrição e de temor. Serve a Deus, despreza o mundo. Já não seja pecador”. Ele revela bem qual a intenção da Igreja quando convoca os católicos a 40 dias de jejum e penitência em preparação para a Páscoa. Lembra-nos algumas verdades que podem ser muito úteis para viver bem este tempo quaresmal.

Primeiro, nos recorda que a Quaresma é “tempo de contrição e de temor”. Sem a dor de ter ofendido a Deus (contrição) e sem o reconhecimento da Sua grandeza, da Sua presença e ainda mais do Seu amor (temor), não pode haver verdadeira conversão! Anualmente a Santa Igreja chama-nos a humildemente reconhecer nossa fraqueza e colocar-nos na presença do Senhor misericordioso para recebermos a salvação e a purificação dos pecados que nos separam Dele e dos outros. Isso precisa nos questionar: estamos dispostos a romper com o pecado e nos converter? Acreditamos realmente na misericórdia infinita de Deus ou achamos que “não temos mais jeito”? Somos assíduos à Confissão sacramental e à oração diária?

Segundo, nos convoca dizendo: “Serve a Deus!”. Toda a vida de Cristo é um apelo aos homens e mulheres de todos os tempos e lugares a renúncia de todo tipo de idolatria: de pessoas, de coisas… “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24). O serviço a Deus torna-nos livres de todo tipo de escravidão. É na amizade com Cristo que nos tornamos pessoas livres. Mas este serviço não exclui o serviço aos outros, porque como Ele mesmo proclama: “… o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida como resgate por muitos” (Mt 20,28). Promovemos o bem na família, na rua, no trabalho ou colaboramos com a injustiça? Calamos diante da miséria alheia?

E terceiro, faz um apelo: “Despreza o mundo. Já não seja pecador.” Este trecho nos lembra as palavras de S. João na sua Primeira Carta: “Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai” (2,15). Este mundo certamente não é o mundo criado por Deus. Mas sim o “mundo” que o pecado “criou” e que está “sob o poder do Maligno” (I Jo 5,19). É um mundo que rejeita Deus e o seu Cristo. Quer a todo custo expulsar a fé e a esperança na vida eterna com uma falsa promessa de felicidade. Portanto, Quaresma é tempo de retornar à fonte da Vida e nos afastar do pecado que envelhece e mata. Não tem segredo! Só pela força da graça de Deus é que conseguimos ressurgir das “obras mortas” do pecado! Que tal realizar pequenos sacrifícios diários que normalmente nos custam tanto como, por exemplo, ser pontual nos compromissos ou falar bem de quem normamente falamos mal?

Um santo e frutuoso caminho quaresmal!

 Diác. Maycon Zaidan