É muito desafiante o trabalho Pastoral nestes tempos. As coisas parecem não criar raízes. Os ensinamentos sacerdotais ao saírem de minha boca ficam como que sem ouvidos aguçados para receber qualquer tipo de ensinamento. As pessoas vivem como se soubesse de tudo. São ignorantes na fé. Uma fé rasa. Fraca o bastante para ser trocada na medida em que encontra um emprego o qual lhe exigirá renúncia. Renúncia mesmo: da pouca fé que porventura tinha.

O trabalho domina o povo de escassa visão. Os pobres afligem-se invariavelmente sem mesmo ter momentos para consumir o dinheiro. Vivem à sua procura como se ele estivesse perdido. Ora, pois! Não vivem correndo atrás do trabalho, contudo do dinheiro que por fadário este suportado trabalho pode lhe abonar. O trabalho está tirando as pessoas das Celebrações Dominicais.

O meu amor pela Eucaristia me deixa feliz ao ponto de buscar a felicidade nas celebrações. Gosto em essência de aproximar-me à Santa Missa e deparar com pessoas de aglomerados credos, seitas e organizações secretas.

Algumas seitas secretas – uma em particular – tem se fortalecido muito em muitas cidades pelo fato de se enervar na Política. Alguns “pedreiros” desta seita tem buscado a Santa Missa, não raras vezes, não tanto pela Missa em si e seus frutos, senão para cumprir com o “grande mestre” uma façanha de busca por qualquer realidade espiritual.

Outro episódio que me desassossega neste tempo é que “Deus” não chama a atenção de quase ninguém. Valores se desandam relativos, pois as pessoas não querem viver rodeadas por normas.

Uma coisa fica em minha vida de padre: “não vou ao outro, pelo outro, mas sim por Jesus Cristo que está nele”. Deste modo, com toda certeza eu consigo experimentar o amor de Deus até mesmo suportando conversar com quem, por vezes, não me faz bem. Forte eu não sou, mas tenho um Deus inquebrantável que me inspira amar a todos os seus filhos.

O que poderia eu rejeitar nos filhos de Deus tudo aquilo que o próprio Deus plantou em seu coração? Sou um ser rastejante a procura de uma sombra. Rastejo na busca das almas necessitadas de um amor verdadeiro, aquele amor que não pede troca, não exige favores. Este amor benevolente e esperançoso é que gostaria que os meus amigos tivessem. Nada de querer pagar um nada através de outro nada, senão viver através do deleitar de uma alma agradecida a Deus. A sombra que almejo para meu povo é possuir o céu. Não tem melhor sombra que o céu para nós os rastejantes em busca das almas que não sabem mais caminhar na procura por Deus.

Assim, abertamente se deparam com pessoas que começam sua vida sexual extremamente precoce. Ao que me parece é que a relação sexual é apreciada dentre os “jovens-adolescentes-adultos” como um prêmio. Quando se perpetra alguma amabilidade para alguém, este alguém, sendo tão pequeno humanamente falando, se vê na coação de saldar pela bondade auferida com aquilo que lhe tem de “melhor”: a sexualidade. Uma sexualidade doentia, mas sexualidade. Desmembrando, todavia, a um relaxamento em relação à Castidade e a outros tantos valores.

Gosto muito de conversar e acolher as pessoas tidas como “místicas”. Elas buscam um ser do além. Perece-me que este ser que eles buscam é o mesmo que eu constantemente anuncio: “Deus”.

Destarte, um dia meu povo escute a vós de meu Deus! Não digo como amante da natureza, longe de mim este sentimento, digo como homem de Deus que busca livremente uma resposta que ninguém tem além daquele que é a resposta. Procuro, vou ao encontro destes homens sedentos de Deus. Será que encontro? Deus sabe!

Nalgum dia falei com um Jovem, ele que me procurou para encomendar uma missa pelas almas do purgatório e em honra do seu anjo da guarda e em honra a São Jorge. Numa conversa rápida com ele, eu quis saber de sua devoção. Ao que me informou foi que alguém – um guru – lhe pedira para que oferecesse esta missa em sua purificação depois de se lavar em águas correntes. Que posso dizer a este filho de Deus que vem até mim sabendo que a Santa Missa pode lhe causar um bem em sua alma e que pode lhe purificar? Ele sabe o que é Jesus Cristo e sua importância.

Basta a este pobre filho se purificar de todos os outros males que lhe acometeram sua inocente alma. Assim, uma pergunta me salta os lábios: “quem é mais temente a Deus: este pobre inocente ou aquele infeliz que vem a missa para agradar não a Deus, antes seu ‘grão mestre’”?

Espero que Deus me mostre o que quer de mim nesta vida, pois tudo que vou fazer a cruz se torna muito pesada. Nunca conquistei nenhuma flor sem que os seus espinhos não tenha me perturbado. Foi através dos espinhos que pude perceber o quanto a flor era linda e exalava seu mais puro perfume.

Neste chão aberto de rosas, eu me encontrei em um itinerário, o qual não me cansava de anunciar a Jesus Cristo para as pessoas. Uma por uma era anunciada a Palavra de transformação que é Jesus.

Em síntese, gostaria muito de saber de Deus qual é minha missão neste chão tão misturado de tanta terra solta. Meu povo continua vivendo sem aprofundar na fé, as jovens ainda se contentam em pagar qualquer benefício recebido com seu próprio corpo – ainda doentio, por sinal- e, alguns homens persistem se inserir nas seitas secretas. Meu Deus, eu insisto: “que queres de mim”? Eis me aqui, Senhor! Seja feita a vossa Santíssima Vontade. Assim seja.

Pe. Joacir d’Abadia, autor de 8 livros