A comunicação digital nunca foi tão acessível como nos dias atuais. Em todos os lugares as pessoas estão com os seus aparelhos digitais nas mãos, trocando mensagens seja por texto, por voz, vídeo. A evolução tecnológica rompeu várias barreiras. As diversas classes sociais têm acesso a estes aparelhos eletrônicos. Todos estão sendo afetados por essa onda de comunicação instantânea. Porém, alguns sofrem mais que outros o impacto que tais recursos comunicativos provocam. Assim, é preciso prestar atenção e buscar ajudar aqueles que são mais susceptíveis ao fascínio do fácil acesso aos meios de comunicação, de modo especial os jovens.

Atualmente os pais sentem-se muitas vezes incapacitados frente a tantas novidades, que por sua vez são tão facilmente dominadas por seus filhos. Os pais possuem a sabedoria da vida e os filhos o conhecimento da técnica. Uns lidam muito bem com a máquina, enquanto os outros conhecem os perigos que a vida apresenta. Assim, ambos devem se ajudar na busca por vencer as barreiras próprias de cada geração, e juntos trocarem os dons recebidos. Hoje não são somente os pais que tem algo a ensinar para os filhos. É uma via de mão dupla onde todos podem sua contribuição pessoal em vista do bem comum. “Por amor dos filhos, assim como por amor de si mesmos, os pais devem ‘adquirir e praticar a capacidade de discernir os espectadores, ouvintes e leitores, agindo como modelos de um uso prudente dos mass media em casa’. No que concerne à Internet, os filhos e os jovens têm com frequência mais familiaridade com este instrumento do que seus próprios pais; não obstante, os pais têm a séria obrigação de orientar e vigiar sobre o uso que os seus filhos fazem da Internet. Se isto significa ter que aprender mais acerca dela do que já sabem até agora, isto será muito bom” (Igreja e Internet, nº 11, 2002).

A Igreja se preocupa com o fortalecimento da família, e por isso tem chamando a atenção para a necessidade da educação digital, para que se possam fazer melhor uso das novas tecnologias. “As famílias cristãs, como “Igrejas domésticas”, têm um lugar e uma tarefa insubstituíveis no anúncio e vivência do Evangelho. São, portanto, não somente objeto da solicitude pastoral da Igreja, mas sujeito ativo e responsável da mesma missão de salvação” (1978, CNBB). No processo de evangelização nos dias atuais é imprescindível o uso das novas tecnologias e a Igreja conta com o trabalho da família para evangelizar a cultura digital.

Para o sucesso da evangelização é preciso primeiro ter pessoas maduras que no uso das novas tecnologias façam a diferença. Por isso, “os pais têm o grave dever de ajudar os próprios filhos a aprenderem avaliar e usar os mass media, formando a própria consciência de maneira correta e desenvolvendo as suas faculdades críticas” (Ética nas Comunicações Sociais, nº 25, 2000). Com o auxílio dos pais, os filhos podem chegar à maturidade no uso dos meios de comunicação social com moderação e sem deixar-se levar pelas ondas do momento. A Igreja conta com a família “ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor” para evangelizar o mundo.

Por Frederico Orndelas