Pentecostes, do grego, pentekosté, é o qüinquagésimo dia após a Páscoa. Comemora-se o envio do Espírito Santo à Igreja. A partir da Ascensão de Cristo, os discípulos e a comunidade não tinham mais a presença física do Mestre. Em cumprimento à promessa de Jesus, o Espírito foi enviado sobre os apóstolos. Dessa forma, Cristo continua presente na Igreja, que é continuadora da sua missão. A celebração do Domingo de Pentecostes inicia-se com uma vigília, no sábado. É a preparação para a vinda do Espírito Santo, que comunica seus dons à Igreja nascente. Para os cristãos, o Pentecostes marca o nascimento da Igreja e sua vocação para a missão universal.

Dom da  Sabedoria

É a luz que se recebe do alto; é uma participação especial no conhecimento misterioso e superior que é próprio de Deus. Podemos ler na Sagrada Escritura: “Por isso pedi, e foi-me dada à in­teligência; supliquei, e veio a mim o espírito de sabedoria”. (cf. Sb 7, 7-8). Graças a este dom, toda a vida do cristão fica impregna com a luz “que vem do Alto”, como o testemunharam tantas almas escolhidas. Em todas estas almas repetem-se as “grandes coisas” operadas em Nossa Senhora pelo Espírito Santo. Ela, a quem a piedade tradicional venera como “Sedes Sapientiae”, nos conduza, a cada um de nós, a provar interiormente as coisas Celestes.

Dom do Entendimento

A palavra inteligência deriva do latim “intus legere”, que significa ler dentro, penetrar, compreender a fundo. Através deste dom, o Espírito Santo, que “penetra as profundidades de Deus” (1 Cor 2, 10), comunica ao crente uma centelha dessa capacidade penetrante que lhe abre o coração à gozosa percepção do desígnio amoroso de Deus. Invoquemo-lo, por intercessão de Maria Santíssima, Virgem da Escuta, que conseguiu ler incansavelmente à luz do Espírito o sentido profundo dos mistérios, nela realizados pelo Todo Poderoso (cf. Lc 2, 19): “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 46 s.).

Dom da  Ciência

Através do dom da ciência é dado a conhecer o verdadeiro valor das criaturas na sua relação com o Criador. O homem moderno está particularmente exposto às várias tentações em meio ao mundo. Para resistir a essas tentações, o Espírito Santo socorre o homem com o dom da ciência. Graças a ela – como escreve Santo Tomás – “o homem não estima as criaturas mais do que elas valem e não as transforma na finalidade da sua vida em detrimento de Deus”. O homem, iluminado pela Ciência, descobre ainda a infinita distância que separa o criador da criação. Esta foi uma constante experiência dos santos, mas foi vivida de forma singular pela Virgem Maria que, com o exemplo do seu percurso, nos ensina a caminhar entre as vicissitudes do mundo com os nossos corações fixados na única fonte da verdadeira alegria.

Dom do Conselho

O dom do conselho é dado ao cristão para iluminar a consciência nas opções morais que a vida diariamente impõe. É uma necessidade muito sentida no nosso tempo, turvado por muitos focos de crise e por um ambiente de incerteza lançado sobre os verdadeiros valores, sendo necessário proceder a uma espécie de “reconstrução das consciências”. O Espírito de Deus vem ao encontro desta necessidade com o Dom do Conselho, com o qual enriquece e aperfeiçoa a virtude da prudência e guia interiormente a alma iluminando-a sobre o que deve fazer. O dom do conselho, como afirma São Boaventura, “atua como um sopro novo na consciência, sugerindo-lhe o que é lícito, o que corresponde ou convém mais à alma”. A consciência adquire uma espécie de nova pupila graças à qual se torna possível ver melhor o que há que fazer em determinadas circunstâncias. Por isso, peçamos o dom do conselho, de modo particular, para os Pastores da Igreja, chamados tantas vezes pelo dever a tomar decisões árduas e penosas. E peçamo-lo por intercessão daquela a quem saudamos nas “ladainhas” como Mater Boni Consilii, Mãe do Bom Conselho.

Dom da  Fortaleza

No nosso tempo muitos exaltam a força física, chegando inclusive a aprovar as manifestações extremas de violência. Mas, na realidade, o homem apercebe-se continuamente da sua debilidade, especialmente no campo espiritual e moral, cedendo aos impulsos das paixões internas e das pressões que sobre ele exerce o ambiente circundante. É precisamente para resistir a estas múltiplas provocações que é necessário a virtude da fortaleza, que é uma das quatro virtudes cardeais sobre as quais se apoia todo o edifício da vida moral: a fortaleza é a virtude de quem cumpre o seu dever com fidelidade. O dom da fortaleza é um impulso sobrenatural, quando experimentamos, como Jesus no Getsémani, a “debilidade da carne” (cf. Mt 26, 41), quer dizer, da natureza humana submetida às dificuldades físicas e psicológicas, temos que invocar do Espírito Santo o dom da fortaleza para permanecer firmes. Em todos os tempos e também no nosso, homens e mulheres, conheceram e conhecem o martírio do corpo e da alma, em íntima união com a “Mater Dolorosa” junto à cruz.

Dom da  Piedade

Falemos agora de outro insigne dom do Espírito Santo: a Piedade. Através deste, o Espírito cura o nosso coração de todo o tipo de dureza e abre-o à ternura para com Deus e com os Irmãos. A experiência da própria pobreza existencial, do vazio que tantas coisas terrenas deixam na alma, suscita no homem a necessidade de recorrer a Deus para obter graça, ajuda e perdão. Neste sentido, escreveu S. Paulo: “Deus enviou o seu Filho… a fim de recebermos a adoção de filhos”. E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: “Abbá! – Pai!” Deste modo, já não és escravo, mas filho…” (cf. Gl 4, 4-7).

Com o dom da piedade, o Espírito Santo infunde no crente uma nova capacidade de amar o próximo, fazendo com que o seu coração de certa forma participe da mesma mansidão do Coração de Cristo. Acresce que o dom da piedade extingue no coração os focos de tensão e de divisão como a amargura, a cólera, a impaciência e alimenta-o com sentimentos de compreensão, tolerância e perdão. Invoquemos ao Espírito Santo uma renovada efusão deste dom, confiando a nossa súplica à intercessão de Maria, modelo sublime de oração fervorosa e de doçura materna.

Dom do Temor a Deus

A Sagrada Escritura afirma que “o temor ao SENHOR é o princípio da sabedoria” (Sl 110/111). Não se trata de “medo de Deus” que leva a que se evite mesmo pensar n’Ele, como algo ou alguém que perturba e inquieta. Mas este conceito de temor como sinônimo de medo não é semelhante ao conceito de temor como dom do Espírito. Aqui se trata de algo muito mais nobre e sublime; O crente apresenta-se e põe-se diante de Deus com o “espírito contrito” e com o “coração arrependido” (cf. Sal 50/51), sabendo bem que deve atender à própria salvação “com temor e tremor” (Fl 2, 12). O Espírito Santo assume todo este conjunto e eleva-o com o dom do temor a Deus. Deste santo e justo temor, conjugado na alma com o amor a Deus, depende toda a prática das virtudes cristãs, e especialmente as da humildade, da temperança, da castidade, da mortificação dos sentidos. Recordemos a exortação do Apóstolo Paulo aos Coríntios: “caríssimos, purifiquemo-nos de toda a mácula da carne e do espírito, completando a obra da nossa santificação no temor a Deus” (2 Cor 7, 1). Invoquemo-lo por intercessão  Daquela que, perante o anúncio da mensagem do anjo “se perturbou” (Lc 1, 29) e, ainda nervosa pela inaudita responsabilidade que lhe era confiada, soube pronunciar o “fiat” da fé, da obediência e do amor.

Fonte: Seminário Maior de Brasília