Quem nunca usou alguma máscara na vida? Que não se encantou com a possibilidade de se transformar num personagem por alguns minutos ou algumas horas?  O problema é que muitas vezes mesmo sendo retiradas as máscaras, continuamos vivendo como se elas ainda estivessem em nós. A real sensação de que elas nos escondem é um chamativo para vivermos constantemente mascarados. E nos esquecemos de que por trás das máscaras mora o nosso verdadeiro eu.  Um eu que precisa ser conhecido na sua integridade, na sua individualidade, no seu lindo processo de ser humano.

O perigo de nos adaptarmos às máscaras é o de entendermos que apenas seremos aceitos se as usarmos, ou o de nos perdermos num mundo onde esperamos ser de fácil convivência e sem confrontos pessoais. 

Essa temática das máscaras torna-se muito interessante porque nos faz voltar para nós mesmos e identificar ali a presença dos vários eus com os quais convivemos. Sou um eu para cada pessoa ou situação, vou ao meu armário de máscaras e escolho a toda hora aquela que mais me convém. Vivo teatralizando a minha vida e me revestindo de personagens que teimam em retirar de mim a originalidade para a qual fui criado.  Vou me esquecendo de ser e apenas preocupando em me tornar.  Tornar o que o outro espera de mim. Perdendo-me de mim mesmo. Afasto-me completamente da bela experiência humana de construir-me. Aceito facilmente as máscaras que as pessoas colocam em mim ou escolho no meu armário as máscaras que facilitarão a minha vida. Entro em conflito com um ser que não quer ser como é ou que não se permite ser ele mesmo na presença de determinadas pessoas.

 Que não sejam as minhas máscaras a determinarem os meus amigos e os meus relacionamentos!

Em 2011, o Papa Bento XVI em uma das reflexões antes da oração do Angelus, disse em seu discurso que “a vida cristã é uma contínua configuração a Cristo, imagem do homem novo, para chegar à plena comunhão com Deus. Quando a nossa vida se deixa iluminar pelo mistério de Cristo, experimenta a alegria de ser libertada de tudo aquilo que ameaça a sua plena realização.”

Fica a pergunta: Será que não estou sendo escravo de vários personagens que estão me impedindo de me configurar a Cristo?

Fica o desafio: Se você vive o desconforto de uma identidade desestruturada que se perdeu em meio a tantas máscaras que você usou durante tanto tempo, permita hoje que Deus o preencha e o ajude a reestruturar-se para surpreender esse mundo com o ser humano único e fantástico que Ele criou! Você!

Por: Kelly Bellei