Para quem conhece bem sua fé, sabe que neste período somos chamados a observar três dos cinco Mandamentos da Igreja. Pode ser que para alguns soe como uma dúvida. Mandamentos da Igreja? Cinco? Não são dez? Não são os Mandamentos da Lei de Deus? Não, não estou me referindo aos Mandamentos que encontramos na Bíblia, estou me referindo aos cinco Mandamentos da Sagrada Tradição (um dos três pilares da nossa fé; os outros dois são: As Sagradas Escrituras e o Sagrado Magistério). Mas voltando aos Mandamentos da Igreja, vamos lembrar, ou para alguns, conhecer os cinco e depois focarei no assunto que está no título. 1º Ouvir a Missa inteira e abster-se de trabalhos servis aos Domingos e festas de guarda. 2º Confessar-se ao menos uma vez cada ano. 3º Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição. 4ºJejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Mãe Igreja. 5º Ajudar a Igreja em suas necessidades. Pronto, aí estão eles, para mais detalhes será interessante consultar o Catecismo da Igreja Católica nos números 2041 a 2043.

Então vamos nos deter no 2º, 3º e 4º mandamentos que caem muito bem nesta época do Ano Litúrgico. Quando a Igreja nos diz que é necessário confessar ao menos uma vez ao ano, já lembramos da Quaresma, pois sempre temos os mutirões de confissão. Como a Igreja é o Corpo Místico de Cristo, sua ação não poderia ser diferente da ação do Mestre: a Igreja age com misericórdia, coloca-nos como necessário ao menos uma confissão por ano. É claro que uma vez ao ano está bem longe de ser o ideal para um católico que está buscando conquistar o Céu. Mas é um começo. Precisamos encontrar na confissão não uma obrigação, mas o lugar real da Misericórdia de Deus.

Santa Faustina não foi a privilegiada em receber visões de Nosso Senhor falando-lhe sobre a Misericórdia. Todo fiel que se aproxima do sacramento da Penitência (Confissão), tem uma experiência única com a Misericórdia de Deus. Precisamos ter um propósito de nos confessarmos ao menos uma vez por mês. Nenhum terço ou novena à Misericórdia Divina pode proporcionar maior encontro com a Misericórdia do que o Sacramento da Confissão. Vale lembrar que São João Paulo II, Papa, se confessava toda semana. Com o atual Papa Francisco não é diferente.

Agora falemos do 3º. Quem anda em dias com a Confissão não pode se contentar em receber a Eucaristia apenas uma vez ao ano. Pensemos uma coisa. Caso houvesse oportunidade de vermos toda semana um astro (ídolo) da televisão ou da música, será que rejeitaríamos tal oportunidade? Com certeza não. Então como podemos nos contentar em receber o Rei do Universo, o nosso Deus, somente na Páscoa? É claro que não! Vamos nos esforçar para receber Nosso Senhor Jesus Cristo Vivo na Eucaristia, toda semana. Como nos disse o Papa Francisco: “A Eucaristia, embora constitua a plenitude da vida sacramental, não é prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos”. (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium [A alegria do Evangelho] 2013, nº 47) Para encerrar, dirijamo-nos agora ao 4º mandamento. Muitas pessoas tem o saudável costume de abster-se de carne todas as sextas-feiras do ano, outras até jejuam toda semana. Mas a Igreja só pede duas vezes ao ano, como regra geral para todos os que não têm nenhum impedimento (idade e doença). A primeira ocasião é na Quarta-feira de Cinzas e a segunda é na Sexta-feira da Paixão.

Abster-se de carne significa não comer nenhum tipo de carne! Inclusive peixe! A Igreja nunca disse que bacalhau ou qualquer outro peixe pode. Já no ano de 1351 o Papa Clemente VI condenou a ideia de comer peixe em dia de jejum na Carta Super quibusdam, destinada ao patriarca dos católicos armênios (Denzinger – Hunermann. Compêndio dos Símbolos, definições e declarações de fé e moral nº 1080). Então que a partir de agora fique claro para nós, nem carne bovina, suína, caprina, nem peixe e nenhuma outra carne (caça, carne exótica, salsicha, mortadela, linguiça, demais embutidos à base de carne, etc…). Sobre o jejum, vejamos o que diz a Igreja: “não tomar mais que uma refeição completa, permitindo-se, porém, algum alimento outras duas vezes por dia”. (Código do Direito Canônico, nº 1252 – nota de rodapé).

Ao jejum é necessário juntar a oração e completar com a esmola (geralmente no valor de uma refeição). Ficar um dia inteiro sem tomar café ou refrigerante ou qualquer outra coisa, exemplo: ficar sem comer chocolate, não é jejum! Estas práticas indicam um tipo de abstinência, mas não jejum. Aproveitemos este tempo Quaresmal e comecemos a edificar uma vida espiritual que ultrapasse os quarenta dias e siga por toda nossa vida.

Por Bruno Salles de Oliveira