Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14, 27)

            Antes da sua ascensão ao Céu o Senhor concede aos seus discípulos, além do precioso dom do Espírito Santo, o necessário dom da sua paz. Mas qual é a paz de Cristo? Pois Ele não deu a seus discípulos uma paz qualquer, mas uma paz que permanece para sempre. Porque a nossa paz não é estado de ânimo, não é a ausência de conflitos, a nossa paz é uma pessoa, nossa Paz é Jesus Cristo.

A paz de Jesus Cristo é o resultado do seu incondicional amor e obediência ao Pai. É o fruto do seu agir em conformidade com o Pai: “Eu procedo conforme o Pai me ordenou” (Jo 14, 31). Não se trata, pois de uma paz fabricada pelo homem, mas de uma resposta de amor e obediência a Deus. Uma paz que é um dom que recebemos de Deus.

Tomamos posse da paz que Jesus Cristo nos deu quando respondemos ao seu projeto de vida e salvação com obediência e amor. Por isso, sua paz não é segundo o modo do mundo. A paz que o mundo nos oferece contempla a ausência de conflito, mesmo a despeito do bem. Segundo a mentalidade do mundo se alguém tiver que escolher entre a sua tranquilidade pessoal e o bem e a verdade, a fidelidade aos mandamentos divinos; é preferível escolher a tranquilidade pessoal.

Enquanto para o cristão entre escolher a sua tranquilidade pessoal e o bem, a verdade, a fidelidade aos mandamentos divinos e o amor; cabe sempre escolher o segundo. Mesmo ao custo de sofrer o drama da perseguição, da incompreensão. Porque para estar em paz com Deus, muitas vezes, significa estar em conflito e em aberta contradição com o mundo, com a cultura e mentalidade dominante. Que não somente pensa diferente de Deus, mas pensa contra Deus. Que impõe uma falsa noção de paz ao preço da apostasia da verdade.

Uma paz cujo preço é a apostasia da verdade é uma falsa paz, uma mentira, um engano, que muitos tem preferido em nossos dias, em virtude da tranquilidade momentânea que esta oferece. Pelo contrário, guardar a paz segundo o modo que Jesus Cristo nos ofereceu requer guardar sua Palavra, seus mandamentos, seu amor, sua vontade, obediência ao projeto de Deus. Mesmo que para tal tenhamos que estar em conflito com o mundo a nossa volta.

Neste sentido, em muitas circunstâncias o preço da paz com Deus será o conflito com o mundo circundante. Não poucas vezes, estar em paz com Deus exige o conflito interior, para vencer as tentações que querem nos arrastar para o pecado. Também o conflito exterior, para não sermos seduzidos pela mentalidade mundana que nos oferece uma paz aparente, sob o preço da negação de Jesus Cristo e do seu Evangelho.

São numerosos os batizados que, infelizmente tem preferido a pagar este preço, ao preferirem uma vida tranquila, imperturbável ao custo da negação de Jesus Cristo e do seu Evangelho. Substituindo a paz que vem do amor e da obediência a Deus, que está vinculada a uma promessa de vida eterna. E que nos constitui morada de Deus. Por uma paz passageira, limitada e breve, que nos faz escravos de uma vida fútil e sem sentido.

Portanto, existem dois tipos de paz. Aquela que nos foi confiada por Jesus Cristo, que é Ele mesmo, sua presença. Uma paz que somente pode ser possuída pelo amor e pela obediência a Deus. E aquela paz oferecida pelo mundo, que prima pelo “bem estar” do homem ao custo da negação de Jesus Cristo e do seu Evangelho. Qual paz queremos? Qual paz temos buscado? Hoje o Senhor nos oferece a sua Paz. É uma proposta, ou a aceitamos ou a rejeitamos. A paz de Jesus Cristo é eterna, a paz do mundo é temporal, escolhamos pois a que não passa.

Pe. Hélio Cordeiro dos Santos
Formador do seminário maior N. S. de Fátima
Brasília – DF