“Quem diz o povo que eu sou?” (Lc 9, 18)

            A pergunta crucial da nossa vida é: “Quem sou eu?” E a outra não menos crucial é: “Quem é Jesus Cristo para mim?”. O próprio Senhor propõe aos seus discípulos esta pergunta: “Quem diz o povo que eu sou?” (Lc 9, 18). Sem referência a Jesus Cristo não podemos responder adequadamente quem somos nós. É em Jesus Cristo que encontramos a resposta completa sobre quem somos e qual nosso fim último.

Como explicita o Papa São João Paulo II: “Sem Jesus Cristo o homem permanece para si mesmo um desconhecido, um enigma indecifrável, um mistério insondável; pois só Jesus Cristo revela o homem ao próprio homem” (Redemptor Hominis, 8). Somente conhecendo o Homem e Deus perfeito – Jesus Cristo é que podemos saber quem somos. É Ele quem nos revela que somos “Herdeiros segundo a promessa” (Gl 3, 29). Herdeiros da vida que era exclusivamente Dele, do Pai e do Espírito – a vida eterna.

O batismo é que nos faz participantes desta herança ao nos revestir de Jesus Cristo: “Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo” (Gl 3, 27). Conhecendo Jesus Cristo compreendemos que a nossa mais alta vocação é ser Ele, alter Christus – outro Cristo.

Portanto, o Senhor não é um simples profeta como pensava o povo. Não é um revolucionário ou subversivo político e religioso, como pensavam os mestres da Lei, os doutores e os sacerdotes. Como tantas pessoas ainda pensam que Ele seja. Cristo é Homem e Deus verdadeiro, Filho de Deus, Salvador do mundo, “O Cristo de Deus” (Mt 9, 20), segundo a bela profissão de fé de Pedro.

Como o Cristo de Deus, Jesus não é para ser admirado. Não são poucos os ateus e pagãos que o admiram. Cristo não é para ser rejeitado ou perseguido. Não são poucos os ateus e batizados que o rejeitam. Cristo não é somente para ser conhecido, são numerosos os teólogos e estudiosos que O “conhecem”, mas não o seguem. Também os demônios conhecem Jesus: “Sei quem tu és: o Santo de Deus” (Mc 1, 24). No entanto, não O obedecem, nem O seguem.

Cristo manifestou-se ao mundo para ser conhecido, amado, seguido e obedecido. Como Ele mesmo lança o convite: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me…” (Lc 9, 23). Jesus tem sede, não de admiradores, Ele tem sede de discípulos, de seguidores, de imitadores.

Quem é discípulo de Jesus reza com Ele, sofre com Ele e por Ele, renuncia ao mundo por Ele, carrega a Cruz com Ele, entrega a vida a Ele e por Ele, como Ele entregou a sua vida por nós. Cristo é nossa fonte inesgotável de vida. Não podemos nos salvar por nós mesmos, mas pela fé podemos nos deixar ser salvos por Jesus Cristo. Ele sim pode nos dar a vida.

A soberba do homem moderno tem o feito pensar que pode salvar-se a si mesmo à despeito de Jesus Cristo. Este é um grande engano. Pois fora de Jesus Cristo não há salvação. Seguindo outros caminhos podemos encontrar algum consolo psicológico, alguma satisfação material momentânea, certa consolação religiosa, prosperidade material. Mas não podemos encontrar o caminho da vida eterna. Que somente Ele pode nos comunicar.

Somente em Jesus Cristo se desvenda o mistério do homem: “Na realidade o mistério do homem só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado” (GS 22). Logo, se queremos saber quem é o homem, é preciso primeiro saber quem é Jesus Cristo. Porque que Cristo é o presente e o futuro dos homens.

Pe. Hélio Cordeiro dos Santos
Formador do seminário maior N. S. de Fátima
Brasília – DF