“Uma única missão não seria o bastante  quisera percorrer a terra, gritar Seu Nome, levar sua cruz”
Santa Teresinha do Menino Jesus

A 7ª Formise aconteceu no CCM – Centro Cultural Missionário – Organismo da CNBB, em Brasília do dia 29 de junho a 5 de julho, com o tema: “A alegria do Evangelho e a dimensão ministerial da missão”. O público desta formação foi seminaristas a partir do 3º ano de Filosofia, diocesanos e religiosos e presbíteros com menos de 10 anos de ordenação. E contou com a participação de 62 seminaristas, 2 diáconos em transição e três presbíteros de diversas regiões do Brasil.

Em consonância com os Documentos da Igreja e de modo especial com as colocações do Papa Francisco, foi que o Centro Cultural Missionário (CCM) de Brasília realizou a 7ª Formação Missionária para seminaristas e jovens presbíteros (Formise).

Durante o período da formação, a programação inclui reflexões sobre a dimensão ministerial da Missão, o missionário presbítero ministro da Palavra, da Liturgia, da caridade e ministro Ad Gentes além-fronteiras. Para realização da programação foi utilizada uma metodologia bem dinâmica e eficaz, sendo duas sessões de manhã de exposições e debates, pela tarde oficinas, grupos de trabalho, experiências missionárias, amarração e síntese e pela noite sempre a apresentação de testemunhos missionários.

O secretário executivo do CCM, padre Estêvão Raschietti, explica que “a iniciativa do curso surge como um estímulo para que aconteça efetivamente uma formação missionária mais aprofundada nos seminários do Brasil, em vista de realizar o 2º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas previsto para julho de 2015”, que se realizará em Belo Horizonte. A formação foi promovida pelo CCM em parceria com a Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada e as Pontifícias Obras Missionárias (POM). A abertura das exposições foi realizada por Dom Pedro Brito Guimarães, Arcebispo de Palmas, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada. As demais formações foram realizadas por assessores da CNBB.

Tive a graça de representar o COMISE – Conselho Missionário de Seminarista – do Seminário Maior de Brasília no qual sou integrante, e também a diocese de Formosa – GO e o Regional Centro-Oeste juntamente com outros irmãos.
É preciso desde já que enquanto seminaristas nos formemos e alimentemos o anseio pela missão. A Igreja é por natureza missionária porque tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo enviados do Pai, não tem como fugir ou camuflar essa verdade. A missão tem como ponto de partida avivar a esperança de que outro mundo é possível, ainda que em situações difíceis, mas para isso necessita de pessoas com coragem profética, pessoas que tenham tido um encontro com pessoal com Cristo e com a Alegria do Evangelho, que denunciem as situações que atentam contra a vida humana e as estruturas injustas, anuncie os valores da vida plena realizada em Jesus Cristo e no respeito à dignidade da pessoa humana.

O discípulo missionário caminha para a proximidade com Jesus, sempre na fidelidade evangélica e na vontade de servir a todos os povos. E encontro com Jesus Cristo – raiz, fonte e ápice da vida da Igreja – é o fundamento do discípulo e da missão. A Igreja vive para esse encontro que é a razão mais profunda da fé, da esperança e da caridade. Com razão, diz Paulo: “Tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”. (Cf. Fl 3,8)

O melhor serviço que a Igreja pode prestar ao mundo contemporâneo é o de dar testemunho da alegria, da justiça, da fraternidade, da partilha e do amor sem reservas, como ensinou Jesus, que se fez e faz presente na vida e na caminhada do seu povo.

Afirma o Papa Francisco em sua Encíclica Evangelli Gaudium que a evangelização é como um caminho de diálogo, que abre a Igreja para colaborar com todas as realidades políticas, sociais, religiosas e culturais. Reafirma também a importância do diálogo e da aliança entre crentes e não crentes para a promoção da paz para o mundo que se encontra tão ferido. Este é o desejo do Papa, estar juntos com os não crentes nos chamados novos “Areópagos”, visando sempre uma convivência pacífica e protegendo a criação.

A missão rompe o círculo da integridade e do integralismo, e convida a pessoa a se “sujar”, a sair de si, da sua tribo, da sua “terra”, a sentir o cheiro da “estrebaria”. É possível amar a Deus somente amando o próximo. Por isso a missão é o caminho para o discipulado: todo discípulo é discípulo para ser apóstolo; e todo apóstolo é apóstolo somente se for continuamente discípulo, aprendiz do amor e da alegria do Evangelho de Jesus.

 Por : Seminarista Carlos Neves (Diocese de Formosa) – membro do COMISE – Seminário Maior de Brasília