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sábado, 15 agosto, 2020 - 08:11 AM

XVIII Domingo do Tempo Comum

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Deus é o alimento da noss’alma

O homem é por natureza um ser sedento, descontente, incompleto, frágil, vulnerável. Mas ao mesmo tempo carrega dentro de si o desejo de algo que ele não pode dar a si: a felicidade. Temos desejo de felicidade, desejo do céu, desejo de eternidade, desejo de liberdade, desejo de vida em plenitude, desejo de uma vida melhor. Realidades que nos ultrapassam, que são maiores do que nós. Desejos estes que somente Deus pode saciar com o seu alimento.

Mas nem sempre procuramos alimentar tais desejos em Deus. Quando isto acontece começamos a pensar que as coisas, a ambição, o poder, a fama, o sucesso, as pessoas, os afetos irão saciar a nossa sede, nossa fome. Porém, o desejo permanece. Porque nesta vida o homem não deixará de desejar nunca, sempre estará insatisfeito. Ao ponto que podemos dizer que viver é desejar. Somente deixaremos de desejar quando pudermos contemplar a glória de Deus, face a face.

Porque a contemplação da face de Deus sacia de tal maneira o homem que, embora este continuando plenamente livre, não se sente atraído por mais nada, senão por Deus. Por isso, que nesta vida de peregrino, os que mantém um desejo mais ardente por Deus, são os mais desprendidos dos bens e dos prazeres ilusórios deste mundo, são os mais devotados em viver a caridade, em realizar o bem.

Mesmo que não possamos contemplar ainda Deus face a face, Ele é o alimento da nossa alma. Sobretudo na Eucaristia, na Palavra e nos demais sacramentos. Um alimento que não podemos comprar, apenas podemos acolhe-lo como dom, fruto da gratuidade do amor de Deus. Como ecoa nas palavras do profeta Isaías: “Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei” (Is 55, 1). Deus é o alimento que não se compra, não se vende, não se troca. É o alimento que se acolhe na fé, o pão dos pobres, que não trocam nenhuma riqueza deste mundo pelos tesouros do céus.

Neste sentido é que o cristianismo não é a religião dos grandes místicos, ascetas ou gurus que alcançaram a Deus por seu esforço pessoal, como é comum nas religiões pagãs. Que pensam ter alcançado a perfeição, a felicidade por força própria. Esforço humano algum tem poder para conquistar a Deus. Parafraseando Romano Guardini: “O cristianismo é a religião dos homens simples que escutam e acolhem a palavra”. A Palavra que é Jesus Cristo (Jo 1,14).

Assim, a fé cristã nasce do encontro do tudo de Deus com o nosso nada. O que traduz bem o que é o amor em sentido cristão, o amor é Deus que ama e vem ao encontro do homem pecador. Por isso, que circunstância alguma pode nos tirar este amor: “A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas em tudo isto somos vencedores, graças Àquele que nos amou” (Rm 8,35ss). Deus optou por nos amar para sempre e em todas as circunstâncias.

A nossa vitória é Cristo que nos salva e nos ama. Se compreendemos isso bem, não seremos vencidos pela mentalidade mundana que quer nos convencer que o homem tem que satisfazer todos os seus desejos, mesmo os mais baixos, inclusive aqueles que nos tornam inimigos de Deus e de nós mesmos, ao ponto de nos arrastar à bestialidade. Basta pensar na escravidão sexual, a drogadição, a jogatina que se impõe sobre o homem contemporâneo, a aberração da mentalidade dominante, promovida pelas grandes marcas, que apresenta uma mulher como se fosse pai e um homem como se fosse mãe. Amostra de um mundo doentio que não tem condições de se alimentar por contra própria e de uma mentalidade anti-humana e anti-cristã com a qual não podemos jamais comungar. Uma mentalidade que transforma as crianças em meros objetos de consumo da depravação moral de certos adultos que não aceitam sequer sua própria estruturação biológica.

É Deus quem nos sacia, nos salva, nos alimenta. Temos muito pouco para oferece-Lo. Talvez não mais que cinco pães e dois peixes, que confiados a Jesus Cristo, no deserto desta vida, alimentam não somente a vida dos discípulos, mas de uma grande multidão. É assim… o cristão católico é alguém que confiou o seu nada nas mãos de Deus, seus cinco pães e dois peixes. Para que sua vida seja também luz para o mundo deserto.

Por fim, a salvação, a alegria, a felicidade que sacia o coração humano não podem ser providenciadas pelo próprio homem. São dons que somente Deus pode nos dar. É o Senhor quem nos alimenta na largueza da sua bondade, Ele nos faz feliz. Estamos no deserto, mas contamos com a compaixão que vem de Cristo.

Pe. Hélio Cordeiro dos Santos
Formador do seminário maior N. S. de Fátima
Brasília – DF


Leituras: Is 55,1-3 / Sl 144 (145) / Rm 8,35.37-39
Evangelho: Mt 14,13-21

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Criada em 16 de outubro de 1979, é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no Brasil, sufragânea da Arquidiocese de Brasília. Pertence à província eclesiástica de Brasília e ao Regional Centro-Oeste da CNBB.

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