O Tempo do Advento nos recorda que a vida do cristão deve ser uma permanente vigília à espera do Senhor: “Vigiai, portanto, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse em que vigília viria o ladrão, vigiaria e não permitiria que sua casa fosse arrombada. Por isso, também vós, ficai preparados, porque o Filho do Homem virá numa hora que não pensais” (Mt 24, 42-44). Mas o que fazer durante esta espera? Com o que se ocupar? Esta vigília precisa ser vivida com um empenho intenso e generoso para viver a fé a esperança e a caridade. A fé consiste na adesão ao que Deus revelou de si mesmo em Jesus Cristo e suas promessas. A esperança consiste no aguardar com entusiasmo a vida eterna, vendo todas as outras realizações como passageiras. A caridade consiste em amar a Deus e ao próximo concretamente.

O próprio termo advento significa vinda, chegada. É um tempo de preparação para a segunda e mais importante solenidade do Ano litúrgico cristão – o Natal. O tempo do advento deve imprimir no coração do cristão duas certezas: “O Senhor veio” e o “Senhor virá”. Por isso devemos estar com as lâmpadas acessas para que Ele não nos surpreenda de qualquer modo (cf. Mt 25, 1-13). Assim, a coroa do advento nos lembra que temos de estar com as lâmpadas acessas, na esperança (vela verde), na paz (vela branca), na alegria (vela rosa), em penitência e conversão constante (vela rocha).

Para cada domingo do advento nos é proposta uma atitude:

1º Domingo do Advento: a vigilância na espera do de Cristo “Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer” (Mc 13, 35).

2º Domingo do Advento: um urgente convite à conversão, contido na pregação de João Batista: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas” (Mc 1, 3).

3º Domingo do Advento: o testemunho dado a Jesus pelo seu precursor: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’, conforme disse o profeta Isaías” (Jo 1, 23).

4º Domingo do Advento: o anúncio do nascimento de Jesus e José e Maria: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus” (Lc 1, 30).

A liturgia do Advento nos apresentam algumas figuras bíblicas que enobrecem o este tempo litúrgico:

 

  1. Isaías: porque nele encontra-se um eco da grande esperança que confortou o povo eleito durante os séculos difíceis e decisivos da sua história, sobretudo no exílio.
  2. João Batista: é o último dos profetas e resume na sua pessoa e palavra toda a história precedente, no momento em que esta desemboca no seu cumprimento. João é o sinal da intervenção de Deus em favor do seu povo; como precursor do Messias, tem a missão de preparar os caminhos da salvação” (cf. Is 40, 3). Ele é o modelo daqueles que Deus consagra totalmente para preparar seus caminhos; daqueles que experimentam a alegria de ouvir a voz divina e ver acolhido o próprio testemunho; daqueles que servem o Evangelho.
  3. Nossa Senhora: “Maria se sobressai entre os humildes e pobres do Senhor que dele esperam e recebem com fé a salvação” (LG 55).
  4. São José: o mistério de José é resumindo em duas palavras do texto evangélico: “Homem justo” (cf. Mt 1, 19). José pertence à estirpe de Davi e, como tal, permite compreender o cumprimento da promessa feita por Deus ao seu régio antepassado (cf. II Sm 7, 12).

 

Por fim, o tempo do Advento é para se viver alguns comportamentos cristãos essenciais: a expectativa vigilante e alegre, a esperança, a conversão, a pobreza.

BIBLIOGRAFIA

BERGAMINI, Augusto. Cristo, festa da Igreja. Paulinas: São Paulo, 2004. 3 ed.. p. 177-192.


Artigo redigido pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’ana em Posse (GO)