Família cristã: “Sal da Terra e Luz do mundo” (Mt 5, 13 -16)
Posse, 08 de março de 2026
O Evangelho de São Mateus insere o convite a sermos sal da terra e luz do mundo logo após o texto das Bem-aventuranças, também chamado de Sermão da montanha. Isso nos dá indicação que o cristão, a família cristã serão “Sal da Terra e Luz do mundo” à medida na qual se deixar moldar pelos grandes valores destacados por Jesus nas Bem-aventuranças: ser pobre em espírito, ser manso de coração, viver as aflições aguardando a consolação que vem de Deus, ter fome de justiça, ser misericordiosos, ser puros de coração, promover a paz, sofrer as perseguições e incompreensões por causa do evangelho com paciência e confiança em Deus.
Não resta dúvidas que uma família que procura moldar e orientar a sua vida por estes valores torna-se necessariamente “Sal da terra e luz do mundo”. O sal tem basicamente três funções: conservar, purificar e dar sabor. Isto aplicado à vida em família nos lembra que a família cristã é chamada a conservar-se em comunhão com Deus, com a Igreja e entre seus membros. Não permitir que a tentação da rivalidade, do domínio, da separação, venha a interpor obstáculos à vida em comunhão, mesmo quando vier a fadiga, o cansaço, as crises, a doença, a velhice. Na comunhão com Deus, com a Igreja, com os demais, a família é muito mais forte.
Na vida em família somos também chamados a purificar-nos dos vícios, dos pecados, das más inclinações, das más influências, das ideologias. Neste processo de purificação joga um papel irrenunciável o exercício contínuo do perdão. Tantas vezes os esposos precisarão se perdoar, perdoar os filhos, os filhos perdoar os pais, perdoar os parentes próximos. Este exercício contínuo do perdão será apoiado e sustentado pela procura frequente da confissão sacramental, primeiro porque somos pecadores, e segundo para nos lembrar que por mais que nos perdoemos mutuamente, mais nos tem perdoado o Senhor. Esta dinâmica coloca a família cristã e seus membros num caminho contínuo de conversão, no qual se procura sempre uma maior proximidade com o Senhor, uma fé mais fervorosa e autêntica, ao mesmo tempo que se posiciona com mais firmeza na luta contra o pecado e contra toda espécie de mal.
O sal serve também para dar sabor, disto temos que dizer que vivemos em família, em comunidade, para dar sabor à vida uns dos outros, não para dar desgostos. Agora lembremo-nos que, o sal para dar sabor aos alimentos, praticamente desaparece, se consome. É assim, se queremos dar sabor, alegria, gosto a vida dos nossos familiares, temos que estar dispostos a nos consumir de amor, a nos doar, a nos gastar com a presença, com o carinho, com o cuidado, com o respeito, com a compreensão, com o diálogo, com a escuta, com a oração, para que a vida não se torne amarga. Se a família vir a perder o gosto pela vida, o mundo se torna cada vez mais amargo. Neste sentido, as nossas famílias precisam ser autênticas escolas de fé e de humanidade, para que o mundo tenha um pouco mais de sabor. Não permitamos que o sabor da vida familiar se degenere pelo amargor da infidelidade, da indiferença, da prepotência, do orgulho, da ambição, do abandono, dos vícios.
Nossas famílias são também chamadas a ser “Luz do mundo”. Isto vem com uma consequência direta de estarem unidas à Luz por excelência – Jesus Cristo, Nosso Senhor, que diz de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). Quanto mais unidas a Cristo, quanto mais fervorosas na fé, quanto mais moldadas pelo evangelho forem nossas famílias, mas luz trarão para o mundo, para a Igreja. Quando um matrimônio fracassa, uma família se destrói, uma nevoa escura se põe sobre a Igreja, sobre a sociedade, sobre o mundo, deixando feridas abertas que maltratam a alma e desfalece o coração.
Nossas famílias serão cada vez mais luz do mundo se mantiverem sempre acessos o pávio da fidelidade e do amor. Estas duas realidades não podem ser separadas no matrimônio. Fidelidade sem amor seria escravidão, amor sem fidelidade seria uma gravíssima mentira. Onde há amor há fidelidade, enquanto a fidelidade se demonstra amando segundo o modo de Cristo. Caros casais não se esqueçam da promessa que fizestes no dia do seu matrimônio: “N., recebe esta aliança em sinal do meu amor e da minha fidelidade. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!”. Que o Senhor na sua bondade conserve sempre em vós a graça da fidelidade e do amor, para que possam ser “Sal da terra… e luz do mundo”.
Artigo redigido pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)



