No que diz respeito à evangelização dos jovens em nosso tempo estamos diante de um grande desafio e, ao mesmo tempo, de uma grande oportunidade. O desafio reside no esforço para se passar de um trabalho juvenil fundado na cultura do encontro para a proposta do caminho. Não resta dúvidas que o encontro com o Senhor é fundamental, é a porta para a fé, marca o início do ser cristão, nos diz o Papa Bento XVI: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, dessa forma, o rumo decisivo” (Deus caritas est, n. 1).

Como podemos ver o encontro com o Senhor marca o início de um caminho que precisa perpassar a vida inteira até culminar na glória dos céus. Nosso Senhor Jesus Cristo precisa, pois, ser anunciado aos jovens, para que estes tenham a oportunidade de encontra-Lo, e tendo-O encontrado tenham a coragem de segui-Lo e de servi-Lo.

Quanto à oportunidade do anúncio do Evangelho aos jovens, reside no fato que este precisa ser anunciado em tempo oportuno e inoportuno (cf. II Tm 4, 2). Em segundo lugar não há nada mais encantador que possa ser anunciado aos jovens do que Nosso Senhor Jesus Cristo, nenhuma proposta mundana se iguala à alegria e à realização trazido pelo seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Em terceiro lugar, a juventude é a idade dos grandes ideais, e o jovem tem desejos de coisas grandes, que deem sentido à sua vida não por um tempo, como o são as meras aventuras humanas. Ninguém responde melhor às aspirações da juventude do que o Senhor.

Para ilustrar a necessidade da passagem de uma pastoral juvenil apenas de encontros para uma cultura também do caminho recorro ao texto de Jo 1, 45-51, que narra o encontro de Natanael com Cristo. Em primeiro lugar aparece Felipe que, por sua amizade, conduz Natanael a encontrar-se com Cristo. Depois este dá seus próprios passos, o encontro dá lugar a um diálogo, que Natanael assume em primeira pessoa. Este diálogo culmina na sua profissão pessoal de fé: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49). À profissão de fé segue o seguimento, mais adiante Natanael é feito apóstolo, não apenas segue o Senhor, é enviado para levar o evangelho da salvação aos outros.

À exemplo de Natanael, a Igreja precisa de jovens apostólicos que tenham alegria de pertencer, seguir e servir a Cristo. Que através da sua amizade, como Felipe que aproximou Natanael do Senhor, possam reconduzir outros jovens à experiência da fé e do seguimento de Jesus. Jovens apóstolos que, com suas vidas, ajudem outros jovens a compreenderem o mistério pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo, que Ele sofreu, morreu para perdoar os nossos pecados; que Ele ressuscitou para nos dar vida nova.

A Igreja precisa de jovens, moças, rapazes e crianças, que louvem o Senhor (cf. Sl 148, 12) com suas vidas como canta o salmista. Jovens que não tenham medo de empenharem suas vidas pela transformação do mundo à partir do evangelho, como leigos, agentes de pastoral, catequistas, como profissionais, como sacerdotes, como religiosos, como esposos.

Os jovens vivem quando Cristo, vivo e ressuscitado vem neles, e quando eles procuram viver para Cristo, mesmo quando isso signifique ir contra a corrente. Nossos jovens estão sendo dizimados seja pelas drogas, pela sexualidade desordenada, seja pela falta de perspectiva de vida ou pela falta de esperança. Eles precisam de uma palavra de consolo, de salvação, de esperança, de apoio, de incentivo, que não os veja como uma mercadoria as ser consumida, mas como protagonistas capazes de autodeterminação, capazes de assumir grandes ideais, de assumir com realismo a vida, capazes de renúncias e de sacrifícios pelos valores.

Cristo, vivo e ressuscitado é a chave para que a juventude possa se reerguer da prostração e do vazio para o qual tem sido empurrado por tantas correntes culturais deletérias e mortais. Que propõem aos jovens apenas aventuras de momentos sem qualquer perspectiva de um projeto de vida, que somente o Senhor pode lhes dar. Cristo é um autêntico projeto de vida, não somente para os jovens, mas para todos aqueles que desejam a plenitude da vida.

Evangelizar, anunciar Jesus Cristo, vivo e ressuscitado ao mundo, não se confunde com uma propaganda ou marketing mundano. Enquanto este visa recrutar consumidores, a evangelização visa introduzir os homens numa relação pessoal de amor com Jesus Cristo[1]. De modo que quem O anuncia não pode separar a sua vida Daquele que é anunciado, porque o anúncio exige não apenas o empenho das palavras, mas da vida por inteiro.

[1] Cf. J.M. LUSTIGER, Como Deus abre a porta da Fé, Gráfica Coimbra 2: Coimbra, 2004, p. 115.


Texto redigido pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)