XII Domingo do tempo comum – C
Posse, 22 de junho de 2025
Leituras: Zc 12, 10-11/13,1/Sl 62 (63)/Gl 3, 26-29
Evangelho: Lc 9, 18-24

A qual Jesus estamos seguindo?

No evangelho que acabamos de ouvir Jesus coloca diante dos seus
discípulos uma pergunta crucial: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
(Lc 9, 20). Com esta atitude o Senhor revela que não queria deixar os
seus discípulos na ignorância quanto a sua identidade e missão, para
que nenhum deles O seguisse por engano ou por razões estranhas à fé.
Porém, antes de interrogar aos discípulos Jesus sonda primeiro qual
a opinião do povo sobre a sua pessoa: “Quem diz o povo que eu sou?”
(Lc 9, 19). As opiniões eram diversas, uns diziam que Jesus é João
Batista, outros que era Elias ou algum dos antigos profetas que havia
ressuscitado. É assim, ainda hoje, circula no mundo, na cultura, na
mentalidade popular, muitas opiniões errôneas acerca de Jesus, que
não correspondem à sua identidade. Para muitos Jesus é apenas um
grande homem, para outros simples líder religioso, para outros não
passa de um agitador e libertador político. Mas para os que creem
Jesus é “O Cristo de Deus”, Deus e Homem verdadeiro, do qual nos
vem a salvação.
Diante disto é sempre atual procurar responder bem à pergunta: A
qual Jesus estamos seguindo? O Cristo que, há dois mil anos é
anunciado e testemunhado pela Igreja, ou o Cristo da revolução
protestante; o Cristo milagreiro da teologia da prosperidade; o Cristo
coach, da auto ajuda da heresia contemporânea; o Jesus do evangelho
falsificado pelo espiritismo; o Cristo da sociologia? Não nos serve as
opiniões sobre Cristo, nos serve o Cristo da fé petrina “O Cristo de
Deus”, Aquele que tem poder para nos salvar, para nos conduzir a
Deus, que nos ajuda a suportar as cruzes desta vida sem nos
desesperar.
Pelo batismo tornamo-nos um só com “O Cristo de Deus”, ser
cristão é ser outro Cristo. Portanto, uma vez incorporados a Cristo
pelo batismo, não vivemos mais para nós mesmos, mas para Ele. Nos
diz São Paulo: “Vós todos que fostes batizados em Cristo vos
revestistes de Cristo”. Cristo não é um estranho para nós, nem nós
podemos ser estranhos a Cristo.
O Cristo que somos chamados a seguir é Aquele que se encarnou
no seio da Virgem Maria pela ação do Espírito, O que pregou pelas
estradas poeirentas da Palestina, Aquele que foi pregado na Cruz para
nossa salvação e que ressuscitou ao terceiro dia para nos dar a vida
nova. É este Cristo que a Igreja testemunha e anuncia, é este Cristo
que nos convida a segui-Lo: “Se alguém me quer seguir, renuncie a
si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9, 23).
Para seguir este Cristo temos que estar dispostos a perder a vida
por causa Dele, imitando a sua entrega por nós. Perder a vida por
Cristo é gastar-se pela caridade, pela fé, na esperança, é renunciar ao
pecado, ao mal, à indiferença, é gastar a nossa vida procurando ser fiel
aos mandamentos divinos. Perder a vida por Cristo neste mundo é ser
fiel à vocação que recebemos: ao matrimônio, à vida religiosa, ao
sacerdócio, ao batismo, mesmo quando se exige de nós o sacrifício…
Quem perde a vida neste mundo por Cristo há de ganha-la para a
vida eterna, uma vez que em Cristo tornamo-nos “herdeiros segundo
a promessa”. Não troquemos a herança de vida eterna, pelas
consolações passageiras e enganadoras desta vida, sigamos o Senhor.
Ele vai a nossa frente para que possamos vencer toda espécie de mal,
todo desânimo; para vencer a tentação de esmorecer na fé. É o Senhor
quem nos convida: “tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9, 23).

Texto redigido por Pe. Hélio Cordeiro, pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)