XIV Domingo do tempo comum – C
Posse, 06 de julho de 2025
Leituras: Is 66, 10-14c/Sl 65 (66)/Gl 6,14-18
Evangelho: Lc 10, 1-12.17-20.

“O Senhor escolheu … e os enviou dois a dois” (Lc 10, 1)

Na Igreja do Senhor são enviados como operários da messe aqueles que o Senhor escolheu. Quando se fala em escolha, imediatamente nos vem à mente a questão dos critérios desta escolha. Também entre a multidão dos seus discípulos o Senhor escolheu e enviou alguns para missões muito específicas na sua Igreja: uns são chamados ao matrimônio, outros à vida religiosa, outros ao matrimônio ou à vida consagrada leiga. Quais os critérios do Senhor para esta escolha?

Se julgarmos pela escolha dos Doze apóstolos, ou mesmo dos setenta e dois discípulos, não é possível estabelecer critérios comuns ou rígidos. Uma vez que cada um dos Doze carrega uma história, uma personalidade e responderam ao chamado do Senhor com altos e baixos. O que nos faz pensar que o Senhor escolhe não os mais santos, os mais inteligentes, os mais importantes, os mais poderosos. Mas os mais simples, os mais generosos, os que estão dispostos a deixar-se formar pelo Senhor. Aqueles que apesar dos seus pecados e limites confiam na graça de Deus, cientes que ela pode moldar as suas vidas para transforma-las em instrumentos vivos na messe do Senhor.

Não resta dúvidas que para responder à escolha do Senhor, seja os Doze, seja os Setenta e dois discípulos, tiveram que romper com sua vida de antes, deixar sua cidade, seus afazeres, seus sonhos, para poder abraçar o que Jesus lhe pedia. Hoje não é diferente, para assumir a escolha do Senhor por nós temos também que estar dispostos a crucificar o mundo, a deixar para trás tudo aquilo que não condiz com a condição de discípulo do Senhor, tudo aquilo que contradiz ao evangelho.

Aqueles que não estão dispostos a sacrificar nada, muito dificilmente estarão aptos para responder a escolha do Senhor, para ser enviado em missão, para servir, para assumir alguma vocação na Igreja. Os operários do evangelho são poucos não por falta de convite da parte do Senhor, mas por falta da coragem da resposta por parte de muitos. Que apegados aos seus prazeres, à sua comodidade, aos seus sonhos, apegados ao mundo, não se dispõem para assumir o querer do Senhor em suas vidas.

Saber que o Senhor continua a escolher, a enviar, a dar poder sobre o espírito do mal, nos deve colocar de prontidão para escutar, para responder, para dizer eis-me aqui Senhor, envia-me! Mesmo que para isso tenha que deixar para trás os meus sonhos, as comodidades, os apegos. Eis a recomendação do Senhor: “Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias…” (Lc 10, 4), pois a força dos que anunciam o evangelho é o próprio Senhor.

Somente aqueles que estão dispostos a crucificar o mundo para viver para Cristo, podem ouvir o seu chamado, estão em condições de aceitar a sua escolha, estão dispostos a ser enviados aos lugares que mais precisam de Deus, da Sua consolação, da caridade, da Boa Nova. Uma vez que o discípulo escolhido, enviado, não vai aonde quer, mas se dispõe a ir aos lugares e àqueles aos quais o Senhor mesmo gostaria de ir. Aqui podemos olhar para o contexto das nossas paróquias, nas quais há muito gente querendo fazer alguma coisa, mas sem se dispor ocupar-se na missão que a Igreja precisa. Diante do chamado do Senhor não temos que fazer o que queremos, mas o que o Senhor quer e como Ele quer e o que a Igreja precisa

Considerar que o mundo está crucificado, significa que ele não mais nos atraí com suas aparências e enganos, com seus vícios, ídolos, com sua rebeldia, com sua pompa, com sua indiferença diante de Deus e das suas leis. Estar crucificado para o mundo significa decidir-se viver unicamente para Deus, para faze sua santa vontade, para o seu serviço, para seu louvor e sua glória. Não dá para ser operário na messe do Senhor, sem antes deixar o mundo atrás de si. Quem não crucifica o mundo par si torna-se corresponsável da crucifixão do Senhor. Mas os que acolhem a escolha do Senhor, crucificam o mundo para si, para viverem para Deus.

Pe. Hélio Cordeiro, pároco da Paróquia Sant’ana em Posse (GO)


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