Posse, 01 de março de 2026
II Domingo da Quaresma – A
Leituras: Gn 12. 1-4ª/Sl 32 (33)/ II Tm 1, 8b-10
Evangelho: Mt 17, 1-9
“Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado.
Escutai-o!” (Mt 17, 7)
A revelação da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo ocupa a centralidade da liturgia de hoje ao nos responder quem é Cristo: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” (Mt 17, 7). Jesus é o Filho amado do Pai, e é Ele mesmo quem nos revela. Portanto, esta verdade, não é fruto de uma especulação humana, de uma elaboração teológica. É o Pai quem nos revela quem é o Filho e vice-versa.
Para este evento Jesus quis reunir-se com três dos seus apóstolos no alto da montanha, lugar característico do encontro com Deus e das suas manifestações teofânicas. Ali estavam Pedro, Tiago e João e também apareceram Moisés e Elias, Cristo ocupa a centralidade. Moisés e Elias representam a Antiga Aliança (Antigo Testamento), Pedro, Tiago e João, a Nova Aliança. Ou seja, Jesus é Centro da história da salvação, a Lei e os profetas falaram Dele, prepararam o caminho para sua vinda.
Jesus é o Centro da Aliança, agora não mais firmada em sangue de animais, mas no sangue de Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro homem. Ao ficar transfigurado diante dos discípulos Jesus os prepara para viver a paixão que se aproxima, na expectativa da sua ressurreição ao terceiro dia. Assim, o céu e a terra se tocam, a eternidade e o tempo se envolvem mutuamente, para nos indicar que Jesus está acima do céu e da terra, dos vivos e dos mortos.
A transfiguração do Senhor antecipa, em certa medida, o mistério da sua ressurreição. Disto decorre a advertência do Senhor a Pedro, Tiago e João: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos” (Mt 17, 9). O Senhor haveria de sofrer a paixão e a morte, para nossa salvação, mas por seu poder divino, fez prevalecer a vida com sua ressurreição.
Com estes mistérios o Senhor nos revelou que a paixão, a morte, a cruz eram necessárias para a salvação do mundo, contudo não eram realidades definitivas. Somente a vida nova, que emerge da ressurreição, é definitiva. Também nossas cruzes, sofrimentos e mortes contemporâneas são passageiras, definitiva é somente a vida nova que vem do Senhor.
Jesus Cristo, O Filho amado do Pai, no mistério da sua paixão, morte e ressurreição, envolveu toda a humanidade no mesmo amor no qual se funda a sua relação filial com o Pai. Por amor entregou-se a paixão, por amor veio a este mundo, com amor quer nos atrair à obediência à sua Palavra.
O Filho amado é o centro do mundo, o centro da história da salvação. Para Ele converge toda a história, Nele o céu e a terra se encontram, a humanidade e a divindade se entrelaçam, nela a Lei e os profetas são levados a sua plenitude, Nele temos graça e salvação. Ouçamos o convite do Pai: “Escutai-o!” No meio de tantas vozes sedutoras, tenhamos a coragem de escolher escutar, obedecer, servir o Filho amado, que nos chama a ser filhos. Somente unidos a Ele podemos aprender a amar de verdade, somente Nele temos esperança de vida e ressurreição.
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




