Posse, 02 de novembro de 2025
Comemoração de todos os fiéis defuntos – C
Leituras: Jó 19.1.23-27ª/Sl 22 (23)/ ICor 15, 20-24ª.25-28
Evangelho: Lc 12, 35-40
“Em Cristo todos reviverão” (ICor 15, 22)
“Em Cristo todos reviverão” (ICor 15, 22), eis a grande esperança cristã condensada na Profissão de fé, o Creio, com as seguintes palavras: “Creio…na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém!”. Aqui nos encontramos no núcleo da fé cristã, segundo a qual, a morte não tem a última palavra sobre os que pertencem a Cristo, porque unidos a eles venceremos também a morte.
Dito isto, é preciso destacar que a celebração litúrgica de hoje, mas do que a “celebração da saudade”, como muitos erroneamente a denominam, é a celebração da fé, que visa destacar estas duas verdades essenciais: a comunhão dos santos e a ressurreição no último dia. Sendo assim, podemos sentir saudades dos entes queridos, podemos até derramar lágrimas. Contudo, não podemos nos esquecer que os fiéis falecidos precisam mais das nossas orações do que das nossas lágrimas, para que purificados das penas temporais devidas pelo pecado, possam definitivamente se alegrar na contemplação da face de Deus.
Pela comunhão dos santos compreendemos que a comunhão entre os que pertencem a Cristo não se interrompe nem mesmo com a morte. Certo que após a morte se inaugura um modo novo de comunhão, de caráter eminentemente espiritual. Porque temos a certeza que quem vive para Cristo vive para sempre. Pelo batismo pertencemos a Cristo Nosso Senhor Crucificado e ressuscitado, de modo que através da morte entramos na vida que não tem fim, a vida eterna. Tanto que os primeiros cristãos consideravam o dia da morte de um fiel em Cristo como o ‘dies natalis’, ou seja, o dia no qual se nasce definitivamente para a vida eterna.
“Em Cristo todos reviverão” (ICor 15, 22), firmados nesta promessa cremos que, para o cristão, a vida não é tirada, a vida é transformada em Cristo. Pois cremos que “Deus é a glória dos fiéis e vida dos justos”, daí que quem está em Cristo não morre nunca. Diante de realidade tão consoladora se, por um lado, “a certeza da morte nos entristece; a promessa da imortalidade nos conforta” (Prefácio dos defuntos I).
Diante de promessa tão consoladora, para os fiéis em Cristo, decididamente, o dia de finados, ou melhor, a celebração dos fiéis defuntos, não é ‘dia de saudade, de tristeza’, é dia de esperança por excelência. Uma esperança cheia de vida, na certeza que em Cristo também sairemos vencedores sobre a morte, “O último inimigo a ser destruído é a morte” (ICor 15, 26).
Ademais a celebração de hoje é também um chamado a refletir como anda nossa vida, a comunhão com o Senhor, porque a esperança de permanecer na comunhão com Ele após a morte é consequência direta de já estarmos em comunhão com Ele agora em nossa condição de peregrinos. Seria contraproducente alguém alimentar esperança de vida eterna, de salvação, de ressurreição após a morte, quando nesta vida despreza o Senhor, pisoteia os seus mandamentos, ignora a fé.
Daí a exortação do Evangelho: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando o seu senhor voltar…” (Lc 12, 35-36). Estar de rins cingidos significa viver em vigilância procurando afastar-se de todo mal, de todo pecado, de toda infidelidade a Deus, sempre atento em fazer o bem, em amar a Deus e ao próximo, socorrendo quem precisa da nossa ajuda. Estar de lâmpadas acessas é manter a chama da fé acessa, vive-la com ardor, assíduos, na oração, na Santa Missa, na vida comunitária, na partilha do que temos.
Por fim, uma última consideração. Como vimos a celebração dos fiéis defuntos, por sua origem e por seu sentido, é uma celebração eminentemente católica, de modo que causa estranheza tantas seitas e grupos religiosos, que não creem nas verdades de fé celebradas neste dia, inundando os cemitérios com sua propaganda proselitista. O que não deixa de ser desrespeitoso para com os fiéis católicos. Haja visto que jamais os fiéis católicos irão se imiscuir desonestamente em qualquer que seja a comemoração religiosa de outro denominação. Podem muito bem fazer o que fazem, noutro, não usando de má fé procurando deturpar o que é genuinamente católico. Isto constitui oportunismo desrespeitoso, indigno de quem tem fé em Cristo.

Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’ana em Posse (GO)




