Dedicação da Basílica do Latrão, festa – C
Posse, 09 de novembro de 2025
Leituras: Ez 47, 1-2.8-9.12/Sl 45 (46)/ICor 3, 9c-11.16-17
Evangelho: Jo 2, 13-22
“…O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário” (ICor 3, 17)
“…O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário” (ICor 3, 17), esta compreensão funda e forma a dignidade de cada pessoa humana na sua totalidade. Somos santuários de Deus que exigem ser ornados com as virtudes, não profanado pela mácula do pecado ou envenenado pela servidão dos vícios.
Como santuário de Deus o ser humano precisa estar adequadamente ornado, por dentro e por fora. Por dentro é preciso purificar o coração das paixões desordenadas e das intenções más, é preciso dominar os instintos, os impulsos, procurando crescer no domínio de si, para que o corpo não seja escravizado por práticas luxuriosas: fornicação, onanismo, sodomia, a prostituição, adultério, ou exposto vulgarmente no esgoto brutal da pornografia.
Por fora o corpo humano há de resplandecer o que carrega dentro. Sendo morada do Espírito Santo, o corpo humano há de irradiá-Lo. Assim nos diz a Palavra de Deus: “Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?” (ICor 3, 16). Recebemos este hospede no dia do batismo para sermos discípulos de Jesus; recebemos a sua efusão no Crisma para sermos suas testemunhas.
O corpo do discípulo de Jesus não é para refletir o mundo com suas aberrações e suas modas. Neste aspecto atualmente reina o princípio que, quanto mais ridículo melhor. Ora é a moda das tatuagens, que deformam os corpos; ora a onda da roupa rasgada, ora o modismo do piercing, ora é a onda do andar seminu. Ora, o cristão não vive de modismos, não é escravo de moda alguma, o cristão vive da graça de Deus, é um servo de Jesus Cristo. Como santuário de Deus, seu ser, por inteiro, assume a forma de Cristo e do Seu Espírito Santo, não a deformação brutal e deprimente determinada pelas ondas culturais ateias e pagãs.
O cristão fala de Cristo com a totalidade do seu ser, no seu corpo, no seu pensar, no seu agir, no seu sentir. Nosso corpo é templo, santuário de Deus, devemos tributar-lhe o mesmo cuidado, o mesmo zelo, a mesma reverência que prestamos às nossas igrejas consagradas ao culto cristão.
O ser humano recebeu de Deus, seu Criador, uma elevada dignidade, que não deveria ser desprezada, esquecida, profanada. Haja visto que o corpo humano tem sido reduzido a instrumento de práticas imorais, espetáculos indignos, a objeto vil para estimular sexualmente os olhos curiosos e dominados pela luxuria e escravo do prazer irresponsável, atacado com violência pelos que ceifam a vida alheia sem o mínimo temor de Deus. Deus não nos criou para nos perdermos neste lamaçal.
Zelar de si mesmo, no corpo e na alma é uma elevada vocação a qual somos chamados. Zelar pelos outros na sua dignidade, respeitar sua intimidade, sua integridade, sua vida, é honrar a Deus. Trabalhar e zelar pela Igreja de Cristo é honrar a Deus. Enquanto que mutilar a si mesmo ou os outros com pecados e vícios abomináveis é desprezar, profanar o templo de Deus. Ouçamos a exortação do Senhor: “O zelo por tua casa me consumirá” (Jo 2, 17).
Deixemo-nos consumir de zelo pela vida humana em todas as circunstâncias, aquela vida humana que está em nós e nos outros, tantas vezes desumanizadas pelos males fruto da rebeldia humana. Vida humana tantas vezes desumanizadas pela violência, pela promiscuidade, pela drogadição. Deixemo-nos consumir de zelo pela igreja templo, nossas igrejas, tantas vezes profanadas pelos próprios fiéis que as frequentam trajando modas indecentes, impudicas, com celular ligado, atrapalhando o culto divino e o espírito de recolhimento e silêncio, com conversações indevidas no interior das igrejas. Deixemo-nos consumir de zelo pela Igreja, Corpo Místico de Cristo, à qual pertencemos como pedras vivas, não a profanemos com a crítica, com a desobediência aos seus legítimos pastores, com a indiferença diante da sua doutrina.

Texto redigido pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




