IDomingo do Advento – A
Posse, 30 de novembro de 2025
Leituras: Is 2, 1-5/Sl 121 (122)/ Rm 13, 11-14ª
Evangelho: Mt 24, 37 – 44

“Por isso, também vós ficai preparados!” (Mt 24, 44)

Ao iniciarmos o Tempo do Advento a Igreja nos exorta a duas posturas essenciais: nos preparar para celebração da solenidade do Natal do Senhor, renovando a consciência da sua primeira vinda, da sua encarnação; pôr-se na expectativa da segunda vinda do Senhor. Esta dupla característica do Tempo do Advento é um convite para devolvermos a centralidade de Cristo na história e na vida de cada um de nós. Não podemos viver como se Deus não existisse, ou ignorando a presença discreta e silenciosa do Senhor entre nós.

À exemplo do ‘tempo de Noé’, no qual as pessoas comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, também muitos homens do nosso tempo não é que sejam grandes pecadores. Mas estão tão envolvidos nos seus próprios afazeres, nas suas próprias preocupações, tão confiantes em suas capacidades e conquistas, tão envolvidos nos seus entretenimentos, que nas suas vidas não tem lugar para Deus.

Comer, beber, casar-se, trabalhar, divertir-se são coisas que todos os homens normalmente o fazem. Qual é o problema então, para o qual o evangelho quer nos chamar a atenção? É levar a vida como se Deus não contasse, tendo Deus como um grande ausente, é não ter espaço para a oração, para a fé, para o culto a Deus, para a vida em comunhão com Deus e com os irmãos.

Assim, tem sido na vida de tantas pessoas, instituições, famílias ou mesmo nações inteiras, que apoiadas no seu poderio econômico e no bem estar material que alcançou, consideram que já não precisam da fé, da Igreja, de Cristo, dos outros. Loucos, não ficará pedra sobre pedra.

Uma vida, uma família, uma humanidade sem Deus, por mais bem sucedida que seja, logo se esvazia, se desumaniza tornando a vida e a morte vazias de qualquer sentido. Pois, lá onde Deus foi silenciado, não tarda ecoar o grito tenebroso da falta de sentido, do absurdo da existência. Portanto, não basta que uma sociedade ou cada pessoa individualmente seja moralmente reta, é preciso recolocar a centralidade de Cristo na vida do homem e na história.

O Tempo do Advento vem nos recordar que Deus não é ausência é presença: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1, 14). O Senhor veio, vem e virá. Estejamos, pois, preparados, ou para usar a linguagem do evangelho: “Portanto, ficai atentos!… Por isso, também vós ficai preparados!” (Mt 24, 42-44). É preciso redescobrir a alegria de que estamos sempre na presença do Senhor, não como um vigia incomodo, mas como pastor que nos ama, nos acompanha, nos perdoa, nos salva e nos providencia toda sorte de bens.

Na vida nos preparamos para tantas coisas: para um concurso, para uma festa, para uma viagem, para receber uma visita, para um casamento, para uma ordenação. Será que sabemos ou queremos nos preparar bem para o encontro com o Senhor? Está é, certamente, a preparação mais importante da nossa vida.

Para responder a esta pergunta temos uma referência especialíssima – a Eucaristia, A Santa Missa. Se não estivermos dispostos a nos preparar bem, interiormente e exteriormente, para o encontro com o Senhor na Santa Missa, também não estaremos preparados para o encontro definitivo com Ele na hora da morte ou no fim dos tempos.

Quantos fiéis que precisam reaprender ou aprender a preparar-se para a Santa. Primeiro a preparação interior: a confissão frequente, o empenho sincero da conversão, a centralidade de Cristo no coração. Mas também a preparação exterior: chegar alguns minutos antes do início da Santa Missa, não alguns minutos depois, desligar o celular antes de adentrar na igreja. Quem age assim participa mal da Santa Missa e ainda atrapalha aqueles que se preparam bem e que chegaram no tempo devido e querem participar de verdade do culto divino.

Na Santa Missa é Cristo quem tem que aparecer não são os corpos desnudos e malvestidos de tanta gente que já perdeu o sentido do sagrado e se trajam tão mal, de modo escandaloso para ir à Santa Missa. Estas são coisas básicas, mas que andam tão esquecidas, enquanto a casa de Deus vem sendo profanada por estas práticas que perturbam a assembleia reunida para a Divina liturgia. Ouçamos a exortação do Senhor “Por isso, também vós ficai preparados!” (Mt 24, 44). Não percamos a consciência da presença do Senhor em nós e entre nós, não nos ausentemos da fé, voltemos para o Senhor de corpo, alma e coração.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)