II Domingo do Advento – A
Posse, 07 de novembro d3 2025
Leituras: Is 11, 1-10/Sl 71 (72)/Rm 15, 4-9
Evangelho: Mt 3, 1-12
…É preciso produzir “Frutos que provem a conversão” (Mt 3, 8)
À medida que vamos avançando no tempo do advento, na sua compreensão, vamos nos dando conta da grandeza do amor de Deus por nós. Vamos vendo como o Senhor foi preparando com carinho a vinda do Seu Filho em vista da salvação dos pecadores – todos nós. Não obstante, a nossa miséria e rebeldia, o Senhor nos procura, vem ao nosso encontro, quer nos atrair para si com entranhas de misericórdia. Neste contexto faz todo o sentido as palavras do Salmo 71: “Libertará o indigente que suplica,/e o pobre ao qual ninguém quer ajudar./Terá pena do indigente e do infeliz,/ e vida dos humildes salvará” (Sl 71, 12-13).
Somos estes indigentes, estes pobres, estes infelizes, estes humildes que, sem a graça de Deus, não seríamos nada. Mas Deus foi preparando no tempo a manifestação do seu amor e da sua salvação. Dentro desta dinâmica, Isaías anunciou João Batista, João Batista, o último dos profetas, anunciou Jesus Nosso Senhor, não somente com as palavras, mas com o testemunho de uma vida austera e coerente com a missão que Deus lhes confiou, a de ser arauto do Senhor.
João Batista inicia sua missão com o explícito convite à conversão: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 3, 2).
Aqui compreendemos a conversão em dois movimentos: voltar-se inteiramente para Cristo, de corpo, alma e coração, e abandonar o pecado. Em Cristo, o Reino dos Céus, se faz próximo, aquele mesmo Reino que outrora havia sido fechado pelo pecado de Adão, agora está aberto, está próximo pela graça de Cristo. A graça da conversão nos abre acesso ao Reino dos Céus.
Como sinal externo da conversão João Batista celebrava um batismo que tinha um caráter mais penitencial, não se tratava de um sacramento. Tratava-se de um rito no qual os pecadores manifestavam publica e externamente o seu arrependimento. Nesta fila dos pecadores entraram também alguns fariseus e saduceus, aos quais João não deixou de advertir: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar?” (Mt 3, 6). Isto para dizer que, não basta submeter-se a um rito exterior é preciso produzir “Frutos que provem a conversão” (Mt 3, 8).
Esta advertência vale também para nós. Não basta viver exteriormente as práticas de piedade e devoção, a oração do Santo Rosário, a Confissão, a Santa Missa; é preciso permitir que estas realidades nos transformem a partir de dentro. É preciso deixar a Palavra de Deus, o evangelho, moldar o coração para que nossas vidas sejam transformadas. Não basta vivermos os ritos cristãos com assiduidade, é preciso viver como cristãos, pois ser católico é um estilo de vida, no qual o culto ilumina e transforma a vida, a mentalidade, o agir, o pensar.
Neste quesito, hoje está muito difundida duas mentalidades errôneas e perigosas: a daqueles que dizem crer em Deus, dizem amar a Cristo, mas desprezam a Igreja, a oração, os sacramentos, a Palavra de Deus, a vida em comunidade, o que no fundo é uma afirmação da indiferença religiosa e do orgulho egoísta; a outra é a daqueles que rezam, vão à Igreja, comungam, contudo continuam vivendo como pagãos: faltando com honestidade nos negócios, infiel ao seu matrimônio, estacionado na fornicação e em tantos outros vícios; não se comprometem com a missão da Igreja. Às vezes até se dispõem fazer alguma coisa na paróquia, mas não o que a paróquia precisa, mas o que ele deseja fazer. Nenhuma destas duas posturas servem ao Reino de Cristo.
Na vida cristã aberta à conversão, fé e vida andam juntas, culto e vida estão implicados um no outro. Aquele que acolhe a proximidade do Reino dos Céus, reza, vive com fervor a Santa Missa, se confessa, procura progredir no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. E, como resultado deste empenho, procura constantemente conformar ao evangelho sua vida profissional, familiar, afetiva e todos os outros âmbitos da sua existência.
Homiliar redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)





