Posse, 08 de março de 2026
III Domingo da Quaresma – A
Leituras: Ex. 17 , 3-7/Sl 94(95)/Rm 5, 1-2a.8
Evangelho: Jo 4, 5-42

Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede” (Jo 4, 14)

Avançando no itinerário quaresmal somos convidados a beber da fonte que sacia toda sede. Esta fonte não é um lugar, é uma pessoa – Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é a fonte espiritual do mundo. “Quem bebe desta fonte nunca mais terá sede”.

Para beber desta fonte que jorra para a vida eterna é preciso ter fé em Jesus Cristo, crer na sua palavra, aceitar seu projeto de amor, romper com o mal. Nosso primeiro contato objetivo com esta fonte foi no batismo, evento este que nos inseriu em Cristo, nos fez participantes da sua vida, nos tornou membros da sua Igreja, apagou da noss’alma a mancha do pecado original.

O batismo marcou para nós o primeiro e definitivo encontro pessoal com o Senhor. Um encontro que modificou para sempre o nosso ser, marcando nossa alma com um selo espiritual, sinal da nossa incondicional pertença a Cristo. Todos que foram batizados beberam desta fonte espiritual que jorra para a vida eterna. Esta fonte, depois, continua a jorrar e a nós alimentar na Eucaristia.

Quem já bebeu desta fonte espiritual, ou seja, quem foi batizado, quem comunga o corpo e o sangue do Senhor dignamente, foi constituído testemunha de Jesus Cristo, pelas Palavras e pelas obras. A exemplo da samaritana que tendo encontrado Jesus, escutado a sua palavra, saiu a testemunhar: “Vinde ver um homem que me disse tudo que eu fiz. Será que ele não é o Cristo?” (Jo 4, 29). O seu testemunho arrastou tantos outros à fé: “Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da palavra da mulher que testemunhava: ‘Ele me disse tudo o que eu fiz’” (Jo 4, 39).

É assim, a fé, quando é autêntica, firme, sincera, atrai tantos outros irmãos para o seguimento de Jesus Cristo. O evangelho deixa entrever que a fé em Jesus tem dois passos: primeiro nos abrimos à fé pela graça do testemunho dos que já creem. Mas é preciso dar um segundo passo, testemunhar pessoalmente a fé que recebemos da Igreja, como consequência do encontro pessoal com o Senhor.

Podemos comparar o batismo de crianças a este processo. Quando pequenos fomos levados ao batismo apoiados pela fé da Igreja, testemunhada pelos nossos pais e padrinhos; uma vez que ainda não éramos capazes do ato pessoal de fé. Contudo, uma vez que tomamos consciência da riqueza do dom espiritual do batismo, da grande transformação que ele realizou em nós, nos fazendo passar das trevas à luz, nos resta assumir, a título pessoal, o sim dado outrora a Cristo por nossos pais e padrinhos. De modo a podermos dizer: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos, que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 4, 42).

Somos, pois, convidados a uma adesão pessoal ao Senhor, ao seu Evangelho, ao seu projeto de amor e salvação, a sua Igreja. Não nos contentemos em ter fé, procuremos vive-la; não nos contentemos em ser católicos, procuremos viver como tal; não nos contentemos em somente ir à Santa Missa, procuremos vive-la; não nos contentemos somente em pertencer à Igreja, reconheçamos que ela nos pertence, amando-a, cuidando-a.

A Igreja é a samaritana que a todos dá testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo para que possamos abraçar a fé Nele. Quem houve o testemunho bimilenar da fé da Igreja continua a beber da imperecível fonte que jorra para a vida eterna, Jesus Cristo Nosso Senhor, que sacia toda nossa sede de amor, de salvação.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)