III Domingo do tempo do Advento – A
Posse, 14 de dezembro de 2025
Leituras: Is 35, 1-6ª-10/Sl 145 (146)/Tg 5, 7-10
Evangelho: Mt 11, 2-11

Cristo é a alegria que permanece para sempre

O Terceiro Domingo do tempo do advento nos convida a meditar na verdadeira alegria, aquela alegria infinita e eterna que somente Deus pode nos dar. Para o cristão a alegria é muito mais do que um mero contentamento passageiro, a alegria cristã é uma pessoa – Nosso Senhor Jesus Cristo.

A alegria de quem tem fé, está em Jesus Cristo, aquela mesma alegria que fez os anjos cantarem naquela noite feliz de Belém, na qual a Luz irrompeu nas trevas da noite, abrindo-nos novamente o intercâmbio entre o céu e a terra. É nesta alegria que exultamos, é esta alegria que esperamos, é esta alegria que testemunhamos.

Somos chamados a viver a alegria quem vem do Senhor com fervor, na oração, sobretudo na Divina Liturgia. Certo que temos muitas razões para nos entristecer: sofrimentos, enfermidades, solidão, incertezas, descredito diante do mundo marcado por tantas mazelas, decepções. Contudo, temos uma só razão para nos alegrar: “… os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados” (Mt 11, 5). Noutras palavras, a libertação de todos os males chegou, Cristo habita em nós e entre nós.

Não resta dúvidas que esta boa notícia trouxe grande alegria e contentamento a João Batista que, mesmo estando no cárcere, pode gozar da verdadeira alegria, que nem mesmo os grilhões puderam abafar. É assim, mesmo cercados por cadeias, por dificuldades, por desilusões, mortes, alegremo-nos, o Senhor está conosco, quer nosso bem, quer nossa salvação.

A alegria humana é proporcional ao objeto que a suscita. Assim, nenhuma outra alegria se compara à alegria que vem de Deus. Sendo Deus eterno e infinito, a alegria que Ele nos traz é também uma alegria eterna e infinita. Uma alegria que dinheiro algum pode comprar, que pessoa ou coisa alguma pode nos dar. Somos chamados a acolher esta alegria na fé no Filho de Deus.

Quantos profetas e justos do Antigo Testamento ansiaram por esta alegria, mas não puderam vê-la realizada, apenas puderam viver guiados pela promessa. A nós é dado viver, comtemplar e acolher esta alegria realizada, porque o “O Verbo se fez carne, e habitou entre nós; nós vimos a sua glória…” (Jo 1, 14). Lá onde se manifesta a glória de Deus reina a alegria.

A alegria é a melhor palavra para definir o estado de quem caminha com Cristo nesta vida pela fé, e a condição daqueles que já reinam com Ele definitivamente no céu. Ademais a alegria é um dos frutos do Espírito Santo (Gl 5, 22-23). Dito isto, se evidencia que a alegria é ínsita à condição filial do cristão, é um dom recebido de Deus, e o conservam aqueles que não contristam o Espírito Santo com o pecado.

Lá onde reina o pecado não pode haver alegria. Alguém poderia objetar: “Mas os pecadores parecem viver muito felizes, sem o julgo das proibições, sem renúncias, sem limites, fazendo sempre sua própria vontade?” Ora, onde não há o Espírito de Cristo não há alegria, há apenas uma euforia momentânea que logo se acaba, deixando um vazio insuportável, arrastando a pessoa para o fosso cada vez mais profundo do vício, que começa a exigir doses cada vez maiores para se produzir uma dose de euforia cada vez menor e frustrante. Trata-se de um mecanismo de morte, de destruição.

Enquanto que, a alegria cristã, é fonte de vida, de contentamento, uma realidade que permanece, porque está enraizada na alma, vem Deus, não resulta do usufruto desenfreado de nenhuma criatura. É uma Alegria que tem rosto e tem nome – Jesus Cristo – a alegria que não morre, não passa, mas permanece para sempre. Cristo é a alegria que permanece para sempre.


Texto redigido pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)