III Domingo do tempo comum – A
Formosa, 25 de janeiro de 2026
Leituras: Is 8, 23b-93/Sl 26 (27)/ ICor 1, 10-13.17
Evangelho: Mt 4, 12-23
“Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4, 17)
O evangelho que ouvimos hoje na liturgia nos retrata o início da missão pública de Jesus pontuando os aspectos essenciais da sua missão: pregar, ensinar, curar e formar discípulos. Como conteúdo da sua missão se destaca o convite sempre atual e irrenunciável: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4, 17).
A pregação de Jesus visava sobretudo chamar os homens à conversão, este primeiro anúncio ecoa por primeiro na “Galileia dos pagãos!” Este detalhe, por si só, ressalta o caráter universal da missão de Jesus que chama à conversão todos os povos, os homens de todas as idades, línguas e nações. Aqui concretamente a conversão comporta a adesão à pessoa de Jesus e ao seu projeto de amor e salvação. Uma pregação que não proponha aos pecadores a conversão constitui uma dupla traição: a Cristo e ao próprio pecador que permanece abandonado no seu pecado.
E porque devemos nos converter? Primeiro porque somos pecadores, mas também “O Reino dos Céus está próximo” (Mt 4, 17). Em Cristo a graça de Deus colocou-se ao nosso alcance, onde antes reinava as trevas, a divisão, agora se manifestou a Luz. “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9, 1). Assim, converter-se é sair do domínio do pecado para entrar no reinado de Cristo. De modo que o Reino de Deus se estabelece quando entramos na submissão e no seguimento de Jesus Cristo.
Jesus também ensinava para arrancar os homens da ignorância, da desesperança de uma vida sem Deus. Jesus é o Mestre que ensinava não uma filosofia, uma doutrina, Ele ensinava o Reino, Ele ensinava a si mesmo, porque Cristo é o Reino. Aqueles que acolheram e acolhem o seu ensinamento tornam-se discípulos, imitadores do Mestre, peregrinos neste mundo. A pregação é para suscitar discípulos o ensino é para formar os mesmos.
Na sua missão o Senhor também curava “todo tipo de doença e enfermidade do povo” (Mt 4, 23). Pois Ele veio para salvar o homem integralmente, no corpo e na alma. Este ministério de cura de Jesus é continuado na sua Igreja mediante dois sacramentos particularmente importantes: a confissão para a cura da alma ferida pela enfermidade do pecado; a unção dos enfermos, pela qual se suplica o conforto de Cristo para aquele que está doente, podendo lhe conferir o restabelecimento da saúde e o conforto da alma para enfrentar os terrores da morte.
Além de pregar, ensinar e curar Nosso Senhor chamou os apóstolos a segui-Lo, sinal evidente do desejo do Senhor de que a sua missão pudesse ser continuada na história mediante o ministério apostólico. Cristo quis formar entorno da sua pessoa uma comunidade de irmãos, germe da Igreja, cuja missão é continuar no mundo a mesma missão.
Jesus os chamou de dois a dois: Pedro e seu irmão André; Tiago e seu irmão João. Todos pescadores, não se tratava de pessoas desocupadas, eles tinham os seus barcos, suas redes, mas o Senhor quis precisar deles, eles responderam prontamente. Também para que a missão de Cristo continue a Igreja precisa de muitos operários: leigos, sacerdotes, religiosos, catequistas, consagrados, que também tenham a coragem de ocupar-se com a causa do evangelho, servindo à salvação das almas.
A pregação de Jesus permanece vigente: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4, 17). Permitamos que esta exortação do Senhor nos mova, nos transforme a vida, nos coloque a caminho, nos faça decidir por Ele, por seu Reino, mesmo ao custo do desapego do mundo, do despojamento das ambições mundanas, para sermos livres no Senhor.
Texto redigido pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




