IV Domingo do Advento – C
Posse, 21 de dezembro de 2025
Leituras: Is 7, 10-14/Sl 23 (24)/Rm 1,1-7
Evangelho: Mt 1, 18-24

“Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho…” (Is 7, 14)

“Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7, 14). Talvez estejamos tão acostumados com este texto que já não conseguimos perceber toda a sua profundidade espiritual e todo o mistério nele envolvido. Uma Virgem que concebe, sem concurso de homem algum, pela ação do Espírito Santo, conservando a sua integridade, é o maior dos milagres e dos maiores mistérios da fé.

Este mistério, antecipadamente profetizado por Isaías, nos coloca diante do cerne da encarnação do Verbo, no qual a divindade vem de encontro a humanidade fragilizada afim de salva-la, de eleva-la, de recria-la. Tudo isto por amor, por inteira gratuidade da parte de Deus, que é fiel para sempre.

Uma Virgem que concebe pela ação do Espírito Santo é um fato salvífico, uma verdade que confunde os sábios e entendidos; que os ignorantes rejeitam; que os que não tem fé zombam. Mas para os que creem é o é o sinal incontestável do agir Divino na história, afim de salvar o homem pecador.

Este acontecimento ímpar testemunha que o céu não está fechado para nós, Deus veio, vem e virá ao nosso encontro. Este acontecimento único e irrepetível foi possível pelo querer de Deus, que está acima de tudo e de todos, e contou com o assentimento livre e generoso da Bem-Aventurada Virgem Maria. O que nos leva a compreender que, quando o querer de Deus se encontra com o ato de fé por parte do homem, o mistério da salvação acontece, grandes e belas coisas se realizam. Aqui crer é entrar na obediência à vontade do Senhor.

De modo que crê, tem fé, aqueles que se dispõem a viver segundo o querer de Deus, não segundo o seu próprio querer. Disto resulta que a Bem-Aventurada Virgem Maria é o mais completo, o mais bem acabado modelo de fé que podemos conhecer; pois em ninguém mais do que ela Deus pode realizar tão grandes coisas.

A Bem-Aventurada Virgem Maria é o mais eloquente sinal de Deus presente no mundo e na Igreja. Como grande sinal ela nos aponta o caminho para o Emanuel — Deus conosco. A quem lhe coube dar o nome, privilégio daquela que se colocou diante de Deus com inteira disponibilidade. Assim compreendemos que quem crê torna-se um autêntico sinal de Deus em meio a este mundo descrente.


Texto redigido pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)