IV Domingo do tempo comum – C
São João D’Aliança, 01 de fevereiro de 2026
Leituras: Sf 2, 3;3, 12-13/Sl 145 (146)/ICor 1, 26-31
Evangelho: Mt 5, 1-12 a
“Bem -aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3)
Hoje a palavra de Deus nos apresenta as bem aventuranças como o caminho para a felicidade. Dentre elas gostaria de destacar a primeira: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3). Em cada uma das Bem-aventuranças há uma relação de causa efeito, de modo que a boa consequência da pobreza em espírito será receber em prêmio o Reino dos Céus. O prêmio para a aflições será a consolação que vem de Deus…o prêmio para a pureza de coração será a visão de Deus.
Ou seja, a adesão a Cristo e ao seu projeto de amor molda a nossa vida presente e define a nossa vida futura. A pobreza em espírito nos abre caminho para a posse do Reino dos Céus. Vejam que o evangelho não diz pobreza de espírito, o que consistiria na posse de um espírito pobre, medíocre, tacanha, preguiçoso, acomodado. A pobreza em espírito é algo muito distinto de tudo isto, é a capacidade de desprendimento diante das realidades criadas em vista da proeminência de Deus sobre nossa vida. Ou seja, o pobre em espírito é aquele que vive sobre o império de Cristo sobre sua vida.
É próprio dos pobres em espírito deixarem-se conduzir pelo primado de Deus em suas vidas. O pobre em espírito vive neste mundo de peregrinos sem se deixar enganar ou escravizar pelas coisas passageiras, procurando vencer a ambição, o apego desordenado aos bens e às pessoas, procurando dominar as paixões luxuriosas. Os pobres em espírito são aqueles que sabem usar moderadamente os bens deste mundo, enquanto estão dispostos a abraçar somente aos bens eternos.
Os pobres em espírito procuram adorar o Senhor de todo o coração, colocando sua vida por inteiro ao dispor de Deus. É também característica dos pobres em espírito a disposição para amar todas as pessoas com verdadeira caridade, mesmo quando isto lhe custa algum sacrifício, renúncia.
Enquanto os pobres de espírito procuram servir ao mundo e as suas paixões desordenadas, os pobres em espírito procuram em tudo servir a Deus. Os pobres de espírito buscam suas próprias satisfações, a vanglória, enquanto que os pobres em espírito buscam constantemente o Senhor, sem se cansar, buscam a glória do Senhor. Os pobres em espírito têm como princípio: “quem se gloria, glorie-se no Senhor” (ICor 1, 31).
Os pobres de espírito gloriam-se dos seus próprios feitos, dos seus pecados, dos seus bens, da sua fama, na sua riqueza, da sua aparência. Os pobres em espírito gloriam-se no Senhor, se comprazem em cumprir a lei de Deus, procuram em Deus e na fidelidade a Ele a sua felicidade.
Assim compreendida a pobreza em espírito é praticamente sinônima da humildade. Os humildes, pobres em espírito, estão dispostos a confiar mais em Deus do que em si mesmos. Os humildes, pobres em espírito, se contentam com o que é essencial, não andam a procura de riquezas, nem tem pretensões ambiciosas, vigia a língua para não caluniar e difamar o irmão (cf. Sl 131).
Por fim, a pobreza em espírito é caminho seguro para a felicidade. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3). Neste sentido a pobreza em espírito é posse antecipada do Reino dos Céus.
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




