Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo – A
Posse, 24 de dezembro de 2025

O Emanuel, Deus conosco, é o Salvador, o Messias, O Senhor …

Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco” (Mt 1, 23). O mistério da encarnação do Senhor inaugura um novo modo de presença de Deus no mundo, palpável, acessível aos nossos olhos, aos nossos sentidos. Uma presença na qual a divindade assume a humanidade para salva-la. O Emanuel é o Salvador, o Messias, O Senhor, a tanto esperado e anunciado pelos profetas, agora podemos vê-Lo, conhece-Lo, amá-Lo e adorá-Lo.

Diante disso compreendemos que o natal não é a celebração do aniversário de Jesus, é a festa da salvação, o intercâmbio entre o Céu e a terra, no qual nós somos os únicos presenteados com o dom do Filho de Deus. Diante deste fato único, irrepetível, insuperável, estupendo, cabe nos perguntar: Que presente queremos dar para Deus? Uma vida mais santa, mais justa; um coração fiel, obediente e casto; uma entrega mais decidida à serviço do evangelho, do apostolado na Igreja; a superação de um vício, a aquisição de uma virtude.

Não temos ouro, nem incenso, nem mirra, mas temos a vida, podemos entrega-la ao Senhor de verdade, não pelas metades, não por um tempo, mas a vida toda e por toda a vida. Ele é o Emanuel, Deus conosco, contudo é preciso que também estejamos com Ele, acolhendo-O como Salvador, Messias e Senhor.

Jesus é o Salvador, Aquele que tem poder para nos redimir dos pecados, da morte, do Demônio e de toda espécie de mal. Do que precisamos que Jesus nos salve? De uma vida sem fé; de uma vida cristã medíocre e superficial; da escravidão dos vícios, da sodomia, da jogatina, do alcoolismo, da avareza, da ira, da inveja, da luxuria; de uma vida sem sentido!? O Senhor quer e pode nos salvar de tudo isso.

Ser salvo é passar das trevas à luz, da vida para a morte. Crê no Senhor, somente Nele encontramos salvação. Ele é o Salvador, Aquele que tem poder para nos libertar de tudo o que nos oprime, para nos libertar do poder do opressor. Assim cantamos no advento: “Senhor, vem salvar Teu povo das trevas da escravidão Só Tu és nossa esperança, És nossa libertação!…”.

Jesus, o Emanuel, Deus conosco é o Messias, Cristós, Ungido pelo Espírito Santo para derramar sua unção sobre nós, para que também nós nos tornemos Alter Christus – Outros Cristos, agindo como sal da terra e luz do mundo. A unção é para a missão, no caso de Jesus, uma missão de salvação; em nosso caso a missão de segui-Lo e de testemunhá-Lo.

Jesus, o Emanuel, Deus conosco, é o Senhor, Aquele que tem a soberania, o domínio sobre todas as coisas, ao qual tudo deve ser submetido; sobretudo a vontade rebelde do homem pecador. Cristo é o Senhor revestido de toda a autoridade sobre o Céu e sobre a terra, diante do qual deveria estar submetida toda a autoridade terrena. Deveria! Porque quantas autoridades terrenas, tanto políticas como religiosas, abusam do seu poder, passando por cima das leis divinas, com a aprovação de leis iniquas, condenando inocentes, pisoteando o evangelho, transformando em ‘direito’ os pecados mais vis e abomináveis.

Sendo O Senhor, Jesus é digno de todo louvor, toda adoração, este testemunho nos é dado pelos pastores e pelos magos: “Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2, 2). Esta deveria ser nossa disposição cada vez que paramos para orar, sobretudo cada vez que nos adentramos numa igreja, fugindo da dispersão, curvando nossa atenção, nosso coração, nossa alma para o Senhor.

Dito isto, cristão é aquele que reconhece a Cristo como Senhor, o discípulo é aquele que se fez, em tudo, submisso a Nosso Senhor. Se alguém não se submete a Cristo e a sua lei, o amor, este não é um cristão. Não pode ter a Cristo como Senhor quem é escravo do dinheiro, do sexo, da pornografia, do poder, do homossexualismo, da droga, do álcool, da violência, da ira, da mentira, da indiferença, das religiões falsas, da maçonaria, da apostosia.

A submissão a Cristo como Senhor foi e é fortemente testemunhada pelos mártires que, submissos unicamente a Cristo, preferiram o martírio do que reconhecer o domínio religioso dos ímpios imperadores romanos e tantos outros tiranos deste mundo. O evangelho é cristalino: “Ninguém pode servir a dois senhores: ou vai odiar o primeiro e amar o outro, ou aderir ao primeiro e desprezar o outro” (Lc 6, 24). Somente pode dizer Feliz Natal! Com sentido, quem reconhece o Menino Deus, o Emanuel, Deus conosco, como Salvador, Messias e Senhor. Sem esta submissão nos resta apenas a submissão aos ídolos mortos deste mundo. Aproveito o ensejo, para desejar a todos um Santo e a bençoado natal, renovando nossa adesão a Cristo e à sua Igreja peregrina neste mundo. Deus vos abençoe a todos


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)