V Domingo do tempo comum – C
Posse, 08 de fevereiro de 2026
Leituras: Is 58, 7-10/Sl 111 (112)/ I Cor 2, 1-5
Evangelho: Mt 5, 13-16

“Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13)

No dia em que fomos batizados nos foi entregue uma vela acessa no círio pascal, símbolo do Cristo ressuscitado, para significar o que nos tornamos por este sacramento: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13). Não é por acaso que na antiguidade cristã o batismo era denominado como ‘iluminação’, isto mesmo, no batismo fomos iluminados por Cristo. O que significa que o cristão católico não tem luz própria, não resplandece a sua glória, ele é para o mundo o portador da luz e da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Disto decorre que a fé em Cristo não pode ser vivida no anonimato, no escondimento, a vida inteira do cristão é chamada a ser testemunho. Pois uma luz não pode ser acessa para ser posta no escondimento, ou como nos adverte o evangelho: “Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos…” (Mt 5, 15). Para que esta luz recebida no batismo nunca se apague, precisamos renová-la continuamente na Santa Missa, na oração, no empenho sincero na prática das boas obras, na confissão.

Mas como podemos ser luz para o mundo? Nos responde o profeta Isaías 58: repartindo o pão com o faminto, acolhendo os pobres e peregrinos, vestindo o que estiver nu, não oprimir ninguém, não usar do autoritarismo, fugir da linguagem maldosa, acolher o indigente e socorrer ao necessitado. Isto tudo, não para o engrandecimento pessoal, mas para a glória de Deus.

O evangelho segue esta mesma direção ao nos exortar: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 16). As obras boas devem aparecer na vida dos discípulos de Jesus não para seu engrandecimento pessoal, mas “… para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 16). Neste sentido somos convidados a viver e propagar o louvor a Deus tanto no culto como na vida.

As obras boas, inspiradas por Deus e sustentadas por sua graça, são as luzes que dissipam tantas trevas que envolvem este mundo. Enquanto os filhos das trevas propagam a guerra, os filhos da Luz procuram promover a paz; enquanto os mundanos promovem a promiscuidade, a luxuria, a sodomia, os filhos da Luz procuram ser puros de coração; enquanto os avarentos promovem a ganância, a ambição desmedida, os filhos da Luz se contentam com o essencial, com uma vida simples; enquanto os filhos das trevas se angustiam procurando acumular bens, dinheiro, poder, os filhos da Luz se alegram por ter um pouco para partilhar com os irmãos.

Não nos esqueçamos quem somos: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13). Não permitamos ser envolvidos pelas trevas do erro, da mentira, da vaidade, da vanglória, antes deixemo-nos ser envolvidos pela Luz, por Cristo Senhor, sem o qual não podemos trazer luz alguma a este mundo, sem o qual as obras boas que praticamos terminam ofuscadas pelo orgulho e instrumentalizadas para a vanglória pessoal.

Não tenhamos medo de testemunhar a fé, não nos envergonhemos da pertença a Cristo e a sua Igreja. Envergonhemo-nos, outrossim, das obras das trevas, dos pecados, do apego ao mundo. Não tenhamos medo e vergonha de ter uma vida modelada pelo evangelho, isto nos polpa da deformação imposta pelo mundo.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)