VI Domingo do Tempo comum – A
Leituras: Eclo 15, 16-21/Sl 118 (119)/ ICor 2, 6-10
Evangelho: Mt 5, 17-37
“Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga para longe de ti!” (Mt 5, 29)
Temos sempre diante de nós dois caminhos: o fogo e água, a vida e a morte; o bem e o mal. Por qual caminho queremos andar? Jesus nos convida a andar pelo caminho do bem e da verdade, procurando cultivar um coração reto e sincero, fugindo das aparências e das ocasiões que nos levam a pecar, a afastar-se da comunhão com Deus e com os irmãos. Ao condenar a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, o Senhor não está desmerecendo a Lei, antes está fazendo um convite para a interioriza-la.
A justiça dos mestres da Lei e dos fariseus estava profundamente viciada pela hipocrisia, uma vez que se pautava pela mera observância exterior da Lei, sem preocupação com a sua devida interiorização. O que originou uma vida de aparências, na qual as pessoas não precisavam ser justas, boas, misericordiosas, tementes a Deus. Bastava aparentar ser, era suficiente ser um observante, mesmo que o coração não estivesse convertido.
Diante disto Jesus os convida, e nos convida, a ir mais longe, sem descuidar de agir bem, com retidão e sinceridade, Ele nos indica que é preciso também purificar as intenções do coração, pois, aí estão as raízes das más ações e pecados, como bem advertiu: “Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades roubos, assassínios, adultérios…” (Mc 7, 21). Aliás, sem um coração reto e sincero seria impossível agir bem por muito tempo.
Isto evidencia que não basta cumprir com os deveres religiosos: ir a missa todos os domingos, rezar todos os dias, meditar a Palavra de Deus, devolver o dízimo. Tudo isto é necessário e traz como consequência a contínua decisão de romper com o mal. É preciso ir à missa todos os domingos, mas é preciso também reconciliar-se com o irmão. É preciso rezar todos os dias, mas é preciso também ser fiel ao matrimônio, ser honesto nos negócios, reto e sincero no agir. É preciso ouvir e meditar a Palavra de Deus todos os dias, mas é preciso também saber partilhar os bens que temos, fugir dos maus costumes, renunciar às pompas de Satanás, aos espetáculos mundanos, fartamente oferecidos e propagados nestes terríveis dias de carnaval que deveriam ser dias de divertimento e alegria saudáveis.
Ainda o Senhor nos convida a fugir das ocasiões de pecado ao dizer: “Se teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranco-o e joga-o para longe de ti” (Mt 5, 29). Pensemos que a quase totalidade das festas de carnaval, Brasil afora, inclusive aqui em Posse, se tornaram ocasião de pecados terríveis nos quais o convite à luxúria, a falta de pudor, a zombaria com o nome de Deus, insuflada por ‘músicas’ que são verdadeira pornografia auditiva e por tantos outros excessos de bebidas, de nudez, terminam por arrastar tantas almas à ruína nesta vida e ao inferno na outra.
Não sejamos covardes! Arranquemos o olho, a mão que nos leva a pecar, a trair nossa fidelidade a Cristo e os joguemos longe de nós. Ou seja, fujamos das pompas do Demônio, cujo desejo é arrastar a muitos para a ruína definitiva na qual ele já se encontra. Não nos deixemos arrastar, atrair por tantos insultos e espetáculos enganosos destes dias que vão aos poucos entorpecendo a nossa alma, adormecendo as consciências tornando-as insensíveis diante de Deus, da fé, do evangelho e dos irmãos.
Ouçamos o convite da Palavra de Deus, o Senhor “não mandou ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar” (Eclo 15, 21). De nada nos adiantaria nos entregar a toda espécie de pecados e excessos durante estes dias já com a intenção de entrar na fila das cinzas na Quarta-feira de Cinzas. Isto seria uma vil hipocrisia, seria enganar a si mesmo. Pois ninguém pode enganar o Senhor, Ele conhece o que se passa em nosso coração.
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




