Posse, 07 de setembro de 2025
XXIII Domingo do tempo comum – C
Leituras: Sb 9, 13-18/ Sl 89 (90)/Fl 9b10-12-17
Evangelho: Lucas 14,25-33

O discípulo é aquele que se propõe a imitar o mestre

Hoje o Senhor nos convida a passar da condição de acompanhantes, de observadores, de curiosos ou ocasionais à condição de discípulos. Do ponto de vista da fé o acompanhante é aquele que está por perto, seja por curiosidade ou por necessidade, sem se comprometer. Enquanto que o discípulo é aquele que se propõe a imitar o mestre, assumindo as consequências desta decisão.

Os observadores são aqueles que estão próximos de Jesus, estão na Igreja, vão à Santa missa de vez em quando, como se dissesse: “Vamos ver o que vai dar!” Dependendo da situação continuam ou abandonam a Igreja. Muitos são os católicos que se encontram nesta condição, são observadores de Cristo, da Igreja, sempre prontos para a crítica, mas não assumem nunca a sua condição de discípulo de Jesus, nem muito menos se comprometem com nada na vida e na missão da Igreja. Estão sempre prontos a dizer “A Igreja é isto, é aquilo…”. Falando assim testemunham que não reconhecem sua pertença a Igreja.

O discípulo de Jesus não é um observador, ele é um com Cristo, é um com a Igreja corpo de Cristo. O discípulo sofre quando a Igreja sofre, se alegra, quando a Igreja se alegra, porque se reconhece parte, membro, deste Corpo do qual Cristo é a cabeça (cf. Rm 12, 12-30). O discípulo não observa a Igreja de fora, ele se reconhece dentro dela, sua vida é sua vida, sua fé é sua fé, seus sofrimentos são também seus, sua missão é também sua, se compromete com as necessidades materiais e espirituais da Igreja.

Muitos outros batizados podem ser denominados de ocasionais, são aqueles que lembram que a Igreja existe, quando precisam de um sacramento: batismo, matrimônio, quando morre alguém na família, quando estão doentes, quando é dia de missa de formatura. Para estes ocasionais, a Igreja e Cristo lhe são estranhos, porque nunca se abriram a uma autêntica experiência de fé e de encontro com o Senhor. São estes que engrossam as fileiras das romarias, contudo, vão ali mais por farra do que movido por espírito de fé e conversão, nunca se confessam, nem comungam, nem rezam, talvez o tenham feito quando receberam a primeira eucaristia.

Ora, o caminho do evangelho não é nem para acompanhantes, observadores ou ocasionais, é para discípulos. O discípulo não apenas acompanha o Mestre, mas o segue de forma livre e decidida, todos os dias da sua vida, sem se deixar escravizar ou ser impedido por nada. O discípulo segue o Mestre por uma decisão de fé e amor, não por necessidade, porque sabe que Nele encontra-se a graça e a salvação.

O discípulo de Jesus caminha atrás do Mestre, não à sua frente. Caminhar atrás de Jesus significa estar disposto a obedecê-Lo, deixa-Lo definir o caminho por onde andar, significa acolher como agradável aquilo que é agradável a Deus. Ser discípulo de Jesus, ser católico, é um estilo de vida que, necessariamente, nos coloca em contradição com o mundo, com a cultura vigente, que não mais suporta os valores do evangelho. Neste sentido ser discípulo de Jesus, ser católico é ir na contramão do mundo. Faz parte deste estilo de vida, a comunhão com Deus e com os irmãos, a vida sacramental assídua, a missa dominical, a conversão continua, a partilha dos bens através do dízimo, a confissão frequente, a oração diária, o compromisso com a vocação assumida, o empenho em favor do bem comum…

O discípulo de Jesus aceita as exigências do evangelho, as exigências da fé: a caridade, a esperança, a justiça, a castidade, a honestidade, a solidariedade, a partilha, a retidão, a verdade, os valores do matrimônio, constituído entre um só homem e uma só mulher. Aquele que não é discípulo, pelo contrário, procura impor suas exigências ao evangelho, à Igreja, à Cristo, assumindo um estilo de vida completamente averso ao que nos propõe a fé. A exortação do Senhor é clara: “Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” (Lc 14, 33). Não podemos ser discípulos de qualquer jeito, somente podemos ser discípulos do jeito que Nosso Senhor Jesus Cristo quer. Quem quiser entender entenda, é um convite que precisa ser aceito na liberdade.


Texto redigido pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)