EDUCAR É UM ATO DE ESPERANÇA”

Formosa, 28 de setembro de 2025

O tema deste V Congresso Diocesano da Pastoral da Educação logrou unir duas realidades fundamentais para a vida neste mundo: a educação e a esperança. O que nos dá ocasião para revisitar tanto o significado de uma como da outra: O que significa educar? O que é ter esperança? E qual a relação que existe entre ambas? Vamos procurar responder a estas três breves perguntas neste breve espaço de tempo.

O que significa educar?

O texto de Pv 22, 6 nos diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e ainda quando for velho, não se desviará dele”. Aqui o ato de educar aparece como uma ação presente que prepara para o futuro, neste caso, andar no caminho é realizar o que Deus espera de nós. Já Santo Agostinho compreendia a educação como um caminho interior: “Volta para dentro de ti mesmo; no homem interior habita a verdade” (De Vera Religione). Ou ainda, educar é ‘Ordo amoris’, ou seja, ordenar o amor. Nesta escala do amor Deus ocupa o primeiro lugar. Santo Tomás de Aquino, por sua vez, destaca que educar é conduzir o homem à perfeição da sua natureza: à verdade e à virtude. E que a educação está ligada ao fim último do homem (a visão beatífica/a união com Deus).

Mais recentemente, também o Papa Bento XIV fez alguns acenos importantes sobre o valor da educação e sua relação com a esperança. Para ele Educar é um ato de amor e de fé no ser humano, e um ato de esperança no sentido cristão, pois parte da confiança que Deus age na história. “A esperança é sempre educativa” (cf. Spe Salvi, n. 24-31).

Educar significa instruir, ensinar, formar, no sentido de ajudar cada pessoa a dar forma, a atualizar, a trazer a luz do dia, a colocar em ação às melhores potencialidades que ela carrega. Neste sentido educar é um caminho para o futuro. Definida assim, a ação de educar requer, da parte de quem, educa uma dose substancial de esperança, entendida como expectativa do bem, do melhor. Uma vez que seria uma gravíssima contradição se alguém se propusesse a realizar a ação de educar sem a expectativa que seus destinatários pudessem tornar-se melhores, abrir-se a realidades novas. Neste sentido, educar é comunicar esperança. O educar, imbuído do valor, do significado da sua profissão, traz em si esta expectativa do bem e do melhor em relação aos seus educandos. Neste sentido podemos dizer que, o educador que ama a sua profissão e procura realiza-la com amor, é um semeador de esperança, convicto que a educação pode transformar vidas e a sociedade inteira.

Educar, na compreensão cristã católica, ultrapassa como fim a transformação da pessoa e do mundo, visa abrir-nos para o fim último – a vida eterna. É nesta perspectiva que a Declaração Gravissimum Educationis indica os seguintes elementos como fins da educação: “Porém, a finalidade da autêntica educação é a formação da pessoa humana em vista de seu fim último e, ao mesmo tempo, ao bem dos grupos de que é membro e em cujas responsabilidades tomará parte quando adulta” (GE, 1). A exclusão deste fim, deu origem, nas últimas décadas, projetos pedagógicos e gerou processos educativos absurdamente deficientes e carregados de ideologias mal sãs, que mais deformam do que formam as pessoas, reduzindo-as a técnicos para realizar e executar funções. A educação precisa oferecer muito mais do que isso, ela precisa ajudar as pessoas a encontrar a razão de viver e de esperar. Para alcançar este fim a educação precisa ser integral, ou seja, deve levar em consideração a pessoa por inteiro na sua componente: física, cívico/social moral, intelectual e espiritual. Além ter como fundamento a esperança, ou seja, a esperança constitui o fundamento da ação de educar. Educar funda -se na esperança de um homem melhor, de um mundo melhor, de uma vida melhor. Para o cristão a vida melhor e a vida em Deus, a vida eterna.

O que significa ter esperança?

A esperança é a virtude teologal que nos impulsiona a moldar a vida já agora em conformidade com as promessas divinas que ainda estão por realizar-se, é posse antecipada dos bens eternos que hão de vir. A esperança “é o desejo e a expectativa do bem”, nos diz a Spes non confudit. De modo que a esperança é o oposto da apreensão, da ansiedade, do saudosismo.

A esperança mantém a alegria cristã, a confiança e a serenidade no presente, não obstante as crises e dificuldades, e nos mantém abertos para o futuro, sem ansiedades exageradas e sem pretensão de controlar tudo. A esperança mantém o coração do homem aberto a um futuro no qual prevalecerá o bem, o amor, a bondade, as promessas divinas, não obstante as crises, medos e sofrimentos do tempo presente. Neste sentido a esperança cristã é própria daqueles que, pelos caminhos tortuosos da história, carregam a firme convicção que caminham para Deus e que o Senhor os acompanha pelos acidentados percursos da vida. Por fim, ter esperança é cultivar uma vida orientada para Deus, desejoso do cumprimento das suas promessas. Como exercitar a esperança? Conservando um profundo sentido do valor da vida presente, do amor, do bem, da verdade e uma expectativa ardente na vida eterna. Lugar privilegiado do exercício da esperança é a oração, nos diz o Papa Bento XVI: “Um primeiro essencial lugar de aprendizado da esperança é a oração. Se ninguém mais me escuta, Deus me escuta ainda” (SS, 32). Quando ninguém mais pode nos compreender, consolar, sustentar, Deus o faz, nos ouve, está conosco. De modo que, nem mesmo diante da morte, aquele que tem esperança está só. Objetivo do Ano Jubilar 2025: Reanimar a esperança no coração de todos. A fonte da esperança: O amor de Cristo, que nos foi manifestado na cruz. Porque Cristo nos ama, temos esperança (cf. Spes non confundit, n. 3). Quando vem a falir as seguranças humanas, materiais, resta-nos sempre o amor de Cristo. A esperança caminha junto com a paciência, o saber esperar. Assim, a pressa, o imediatismo da cultura atual são inimigos da esperança. No contexto cultural atual, é preciso estar atentos para não desaprender a esperar. A pressa excessiva nos faz passar de pessoas de esperança para a condição de sujeitos ansiosos. O que é um Jubileu? Trata-se de um evento de graça e de esperança, ocasião oportuna para recorrer à misericórdia de Deus em vista da reconciliação com Deus e com a Igreja.