Busco a Ti outra vez. Quando dou por mim já estou aqui, procurando-Te todo apressado, ó incansável Buscador de mim. Olhar ausente, enrugado de preocupação pelo bom desempenho na arte de orar. Coração desritimado do compasso harmônico contigo. Solidão desconfortável. Quando me encontro desse jeito sinto vontade de brigar sério. Gritar alto. Inventar uma desculpa descabida. Talvez para convencer-me de alguma coisa da qual tenho fugido, negado ou quem sabe lá o que mais.

Começo a transpirar impaciência, chegando ao ponto de remexer-me onde estou sentado, tentando achar posição corporal a mais confortável possível. Lembro-me nessa hora daquela misteriosa luta noturna entre Tu e Jacó. Contudo, não me sinto com o mínimo da disposição corajosa e ousada desse homem bíblico e teimoso. Desisto facilmente de continuar a luta talvez por medo de receber golpe indefensável do Teu amor que, por hora, encaro como oponente invisível.

Sorrio de mim mesmo. Sorriso sem sabor. E a essa altura do encontro confrontador já devem ter passado, certamente, bem mais de duas horas. Consulto o relógio – o relógio do celular que não consegui desligar, acreditando piamente possuir status de objeto extremamente necessário – e, estarrecido, constato consternado: apenas 20 minutos passados desde que chegara. Dizem que a psicologia explica isso. Mas, nesse caso prefiro admitir minha falta de amor, fé, confiança Naquele que jamais conta o tempo. Nunca usa relógio. Nunca preocupa-se com quantidade de horas, mas, a autenticidade do amor e sua reta intenção quando estamos conversando. Amigo todo atento a cada palavra, gesto ou silêncio de minha parte. Companheiro fiel inteiramente dedicado a tudo que diz respeito à minha vida e história. Irmão inseparável.

Envergonhado, abaixo a cabeça publicanamente. Peço-Lhe perdão com voz quase inaudível. Desligo o celular e fico ali como aquela plantinha ao pé dum grande eucalipto. Só isso. Ainda que o desejo de fugir à necessidade de tal combate permaneça latejando dentro. Ainda que a pobreza das palavras prevaleça. Ainda que os sentidos continuem gritando alguma prova da certeza dessa Presença Divina sempre a meu favor, pois, é Amor somente. Ainda que sem saber rezar direito.

Que Ele – Deus-Amor – me ensine todo dia um pouco mais sobre saber corresponder. Sobre rezar e esperar. Sobre ficar mais calado para ouvir melhor. Sobre abandonar minhas tantas e tontas vontades à Sua perfeita e divina vontade que nunca erra.

Que Ele – Deus-Amor – me ensine amar do jeito mais coerente possível e de acordo com meu estado de vida. E assim, aprendiz constante de amor e amar, possa eu retornar aos meus irmãos e irmãs mais capaz de amá-los como merecem ser amados.

Por Seminarista Nailton Almeida, 2º de Teologia do Seminário Maior de Brasília.