(Foto: Redes sociais do Padre Raifran)

Quando o findar do dia chegou e com ele todo o cansaço do labor diário, a fraqueza veio procurar um lugar. A intensidade daquele dia fez emergir o pedido de um tempo para repouso.
Veio a Adoração e a Santa Missa.
Veio o erro humano de pensar:
“Faz tudo bem breve! Você está muito cansado. Não faz Homilia! Deixa que Deus lhes fale ao coração. Corre com essa missa e vai para tua casa descansar.”
Era a preguiça procurando lugar?
Era o humano querendo fraquejar?
E quando cheguei para celebrar a Santa Missa , ao olhar o altar do Teu sacrifício, e quando dele fui me aproximando, os olhos foram se achegando daquele lugar santo e um grito veio ao meu coração!
“É loucura fazer isso!”
E dar ósculo do Santo Altar pude ver o Cordeiro para o Sacrifício: “guardou silêncio e não abriu sequer a boca.” Is 53,7.
Nos olhos Ele me fitou, como se docemente estivesse ali e quisesse ser vítima daquele sacrifício.
E a voz no coração falou novamente:

“Estás cansado? Aqui é a sombra do Altíssimo. Não te cansarás neste lugar. Faz sacerdote o teu sacrifício! Imola! Faz sacerdote a tua oblação! Eleva até os céus este mistério! Não é teu este sacrifício e tu não farás outra coisa se não dele tomar parte! Faz memória! Repete aquelas palavras santas e benditas, proclama aqueles dizeres salutares que o Divino Filho pronunciou e cumpre aquele pedido antigo e sempre novo: ‘Fazei isto em memória de mim’. Não é tua esta hora! Ela é do Primogênito do Pai!”
E daquele momento até o Ato Penitencial foi nascendo ânimo, um ânimo muito além!
É como disse o Santo:
“a sensação
de uma força infinita e arcana,
que te tornará capaz
de propósitos bons e viris,
de cuja potência te maravilharás,
quando tornares sereno.
E esta força é Deus!”
São José Moscati

E novamente ouvi dizer: “Desfaz esse semblante abatido! Desamarra esse rosto desanimado! Tem ânimo e sorri.
Como no primeiro sacrifício que tu fizeste”
“A alegria do Senhor é a Nossa Força!” Ne 8,10

E não podia fazer aquele pecado! Como poderia realizar daquele jeito, aquilo que o Eterno fez com Amor? E como poderia “queimar” com minha preguiça e o meu desanimo, aquilo que o Sumo Sacerdote fez “na noite em que Ele ia ser entregue”? “Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados.” 1Jo 4,10
Como poderia fazer com desfavor da minha vontade aquilo que ele fez “abraçando livremente a Paixão”?
Não poderia! Era realmente uma loucura humana!
E tu Senhor, que não desamparas aqueles que te escutam, fizeste nascer novo vigor! Foi como se fosse a primeira vez! É assim sempre deve ser.
Tranquilidade nas orações e meditação naquelas palavras. Escutar atentamente tua Palavra e guardar ela no coração.
Ao anunciar o Evangelho, proclama com voz forte o que o Senhor com Amor forte deixou.
E o que estava lá escrito quando fui proclamar?
“Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” Mc 6,34
Envergonhado fiquei Senhor! Como fiquei!
E depois do Evangelho prega essa Palavra com um Amor de Pai, como se quisesse dizer aos filhos o que guarda este tesouro de inestimável valor!
Ergue o cálice sagrado e te recordas:
“Elevo o cálice da minha salvação,
invocando o nome santo do Senhor.” Sl 115,13
E ao chegar aquele momento santo, daquele Sacrifício incruento do Amor Divino, faz tu às vezes do Filho. Repete com serenidade e profunda piedade aquelas palavras e nelas vive o teu sacrifício.
E vais rezando aqueles dizeres memoriais que a Igreja conserva no seus tesouros: para que este sacrifício seja agradável ao Senhor, para que o Espírito vos una em um só corpo, pela Sua Igreja, por teus irmãos falecidos e para que todos cheguem a “participar da vida eterna, com a virgem Maria, mãe de Deus, com São José, seu esposo, com os santos apóstolos”
Partilha este Pão Eterno com teus irmãos! Este sacrifício não é teu! Nunca te esqueças disso: Por ele, Nele e para Ele é que tu ofereces este memorial daquela noite em que o Amor se deu por nós, na simplicidade de um Pão.

Padre Raifran Sousa
Administrador paroquial da Paróquia São Sebastião em Vila Boa, (GO), e professor de teologia