Caríssimo (a), estamos vivenciando o tempo da quaresma, e a CNBB nos apresenta a Campanha da Fraternidade de 2015 com o tema Fraternidade: Igreja e Sociedade, e o Lema: Eu vim para servir (cf. Mc 10,45). Quero introduzir o tema com uma pergunta: Alguma vez você já parou pra pensar sobre o que a Igreja Católica, na pessoa dos seus ministros e religiosos (as) fizeram e fazem, além da celebrar missas, atender confissões e motivar os trabalhos pastorais que você conhece?

Você sabia que desde a “proclamação da independência do Brasil até o início da República, a Igreja se fez presente na sociedade brasileira dirigindo estabelecimentos de ensino e introduzindo casas de misericórdia em favor dos enfermos e pobres” (Texto Base, pg.13).

Frequentemente passa despercebido pela sociedade, mesmo fiéis católicos, o papel fundamental da Igreja no desenvolvimento do Brasil. Vou citar um pequeno exemplo sobre um fato na cidade de Formosa-GO. Quando Dom Paulo ainda estava na Diocese de Formosa, fomos à prefeitura, pedir o apoio para a construção de um Albergue ou Casa de Passagem, para atender às pessoas pobres que estavam de passagem pela cidade, para não ficarem jogadas nas ruas e portas de Igrejas. A resposta que obtivemos foi simples: “Não é interesse da prefeitura, ter uma Casa de Passagem na cidade, pois somente atrairia mais mendigos”. Dois anos depois, o próprio prefeito nos procurou para ajudar a organizar uma Casa de Passagem. Motivo: Devido ao novo censo e o aumento da população, Formosa tinha que ter uma Casa de Passagem por causa de uma Lei Federal.

Moral da História: na maioria das vezes, o estado ou município só se preocupam com uma realidade quando ela se torna uma lei obrigatória ou quando alcança patamares insustentáveis. A Igreja nunca se baseou na lei para atender aos necessitados ou oferecer o seu serviço para o bem da sociedade. Onde tem uma pessoa necessitada, ali deve se estender a mão para ajudar. Foi nesse sentido que a Igreja Católica manteve e mantêm as instituições de ensino, as Santas Casas de Misericórdia, incentiva e apoia a Pastoral da Criança e a Pastoral da Pessoa Idosa e etc. Ela também está presente no Congresso Nacional apresentando recursos contra todos os projetos de lei contrários à vida e à dignidade da pessoa humana, que deve ser respeitada “desde a concepção até o seu declínio natural”. Jesus sempre esteve do lado dos que sofrem, e a Igreja entendeu isso como a sua missão, como por exemplo, na época da ditadura, a Igreja foi uma voz que não se calou, falou e gritou por aqueles que não podiam. Jesus denunciou a injustiça e a Igreja entendeu o seu profetismo, e como exemplo, cito o encaminhamento ao Congresso da Lei da Ficha Limpa.

         Como podem ver, a espiritualidade da Igreja Católica, é uma espiritualidade encarnada, com o coração em Deus e os pés no chão, pois como diz o Concílio Vaticano II na Gaudim et Spes 1: “ As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”.

Fraternalmente em Cristo,

Pe Dilmo Franco de Campos