lavapes6A formação humana abre-se e completa-se na formação espiritual, que constitui o coração e o centro unificador de toda a formação cristã.  A formação espiritual do futuro diácono não pode ignorar a experiência já adquirida, mas deve pô-la à prova e incrementá-la, para enxertar nela as características específicas da espiritualidade diaconal. A formação espiritual, ordenada à santidade de vida, que consiste na comunhão íntima e profunda com o Pai, pelo Filho e no Espírito Santo, e que se atinge pela perfeição da caridade, prepara o diácono para desempenhar seu ministério.

“O elemento que mais caracteriza a espiritualidade diaconal é a descoberta e a partilha do amor de Cristo-Servo. Aos diáconos recomenda-se: “Como o nosso Salvador e Mestre disse no Evangelho: “Quem quiser tornar-se grande entre vós, torne-se o vosso servo, da mesma forma como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos” (Mt 20,26-28), vós, diáconos, deveis fazer o mesmo, ainda que isso implique dar a vida por vossos irmãos, por meio do serviço (diaconia) que sois chamados a cumprir. Se, pois, o Senhor do céu e da terra se fez o nosso servidor e sofreu pacientemente todo tipo de dor por nós, quanto mais não deveremos fazer o mesmo por nossos irmãos, pois somos seus imitadores e recebemos a mesma missão do Cristo?” (Didascalia Apostolorum XVI, 13).

O Concílio Vaticano II, de muitos modos e em diversas oportunidades, enfatizou que a vida espiritual integra o homem em sua globalidade, respeitando as experiências e os valores de cada um, e modela a vida a partir da própria situação pessoal, profissional e religiosa. Portanto, na vivência do sacramento do Matrimônio e da Ordem, o diácono construirá uma espiritualidade profunda envolvendo a esposa e os filhos no serviço de Cristo, no anúncio e na construção do Reino.

 Na Conferência de Santo Domingo, os bispos valorizam os diáconos casados como ministros que vivem os sacramentos do Matrimônio e da Ordem: “Queremos ajudar os diáconos casados para que sejam fiéis à sua dupla sacramentalidade: a do Matrimônio e a da Ordem, e para que suas esposas e filhos vivam e participem com eles na diaconia. A experiência de trabalho e seu papel de pais e esposos constituem-nos colaboradores muito qualificados para abordar diversas realidades urgentes em nossas Igrejas particulares” (SD 77).

Na multiforme riqueza do dom recebido, que os destina às várias atividades do serviço da caridade, da Palavra e da liturgia, o ministério dos diáconos permaneça aberto às solicitações que pelo Espírito e pelos sinais dos tempos chegam à Igreja e sua missão.                 A ação eclesial requer que os diáconos estejam disponíveis a responder aos desafios de uma autêntica evangelização que se realiza no testemunho da comunhão, no serviço, no diálogo e no anúncio.

A espiritualidade diaconal  há de ser vivida na centralidade da Eucaristia, na vivência dos sacramentos e de toda a liturgia, na leitura orante da Palavra de Deus, na recitação da Liturgia das Horas, na oração pessoal, familiar e contemplativa, no serviço do povo pela caridade pastoral, na orientação espiritual, na partilha comunitária e na comunhão eclesial.

 Dessa espiritualidade brota também o amor filial para com Maria, mãe de Jesus, a grande servidora que manteve plena fidelidade aos desígnios do Pai, modelo de disponibilidade e amor para todo servidor. Contemplando-a, os diáconos aprenderão o significado de uma total dedicação de amor à missão, ao louvor de Deus e à salvação dos irmãos, aprofundando sua identificação com a vontade de Cristo (Jo 2,5), que procura em tudo a vontade e a glória do Pai (Jo 4,34; 17,4).

A participação na vida da Igreja favorecerá o crescimento do espírito de obediência e de co-responsabilidade. Critérios da  autenticidade de sua vocação e missão,  são a conformação interior com a vontade de Deus e a busca sincera do bem de todos e de cada um dos irmãos, assumindo, com alegria, as renúncias necessárias. A obediência se expressa também na cordial disponibilidade à observância dos ensinamentos da Igreja e das orientações dos superiores.

Alaércio Ferreira da Silva