imageO que pensar de um homem que deixa pai, mãe, irmãos, enfim, deixa a vida de uma família e de formar a sua família para dedicar-se ao outro? Vivemos em uma sociedade em que o sucesso pessoal e profissional é algo almejado e isso não é bem o que espera o padre. O padre aprende desde o chamado que é preciso saber renunciar.
O sacerdote como apresenta a Carta aos Hebreus é alguém tirado do meio do povo, separado do povo para servir a esse povo: “Todo sumo sacerdote é tirado do meio dos homens e instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb 5,1). O dom que o sacerdote oferece a Deus é a sua própria vida unida sacramentalmente a vida do único Filho, oferece-a ainda em sacrifício, na doação de seu tempo, suas preocupações, de todo o seu ser em favor daqueles que Deus lhe confiou.
Assim, na sua vida, o padre testemunha o mandamento do amor, pois “não há maior prova de amor que dar a vida pelos amigos”. A vida do padre é uma vida doada aos amigos, isto é, a todos, pois o padre renuncia a amizades que o impedem de ser livre para se doar aos outros. Quantos exemplos de padres santos que no silêncio de uma vida escondida batizam, casam, absolvem, alimentam com o Pão da Vida e da Palavra, a seus irmãos que com ele peregrinam nessa vida.
Como o diz muito bem o Cura D’Ars: “O padre não é para si. Não dá a si a absolvição. Não administra a si os sacramentos. Ele não é para si, é para vós.”. A vida do padre encontra seu sentido na doação total à salvação do outro, nisto a sua salvação está intimamente relacionada, salva-se salvando. Que dom é a vida sacerdotal entregar-se para que Cristo faça nele e dele um servidor! Que grandeza é uma vida em favor do outro! O padre é, verdadeiramente os outros. Continua o santo D’Ars:
“Quem recebeu vossa alma à sua entrada na vida? É o sacerdote. – Quem a sustenta para dar-lhe a força de fazer sua peregrinação? O sacerdote. – Quem há de prepará-la para se apresentar diante de Deus, purificando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote”. “E se a alma morrer quem há de ressuscitá-la? Ainda o sacerdote. – Não há benefício alguma de que vos lembreis sem ver logo ao lado desta recordação a figura do sacerdote. – O sacerdote tem as chaves dos tesouros celestiais; é o procurador de Deus, é o ministrador de seus bens.”
Enfim, rezemos pelos padres, rezemos para que tenhamos santos sacerdotes e que Deus suscite em nossos jovens o desejo de doar a sua vida para os outros. Não tenhamos medo de responder ao chamado de Deus de nos doarmos inteiramente ao bem do próximo, sendo Cristo, que doou a sua vida sem limites para a salvação da humanidade.

Por Sem. Frederico Ornelas