Posse, 26 de abril de 2026
IV Domingo do tempo comum – A
Leituras: At 2, 14ª.36-41/Sl 22 (23)/ IPd 2, 20b -25
Evangelho: Jo 10, 1-10

“Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas” (Jo 10, 2)

Uma das características da Igreja é que ela é marcada por um lado pela fortaleza do Pastor – Jesus Cristo – e, por outro lado, pela fragilidade das ovelhas – os fiéis. É passando pela Porta que é Cristo que encontraremos pastagem para curar e nos levantar das fraquezas, Ele é o Pastor/Porta, aquele que guarda, guia, protege, salva.

Contudo, normalmente somos propensos, como ovelhas que somos, apenas em enxergar a fraqueza do rebanho, enquanto deveríamos focar nossa atenção na fortaleza do Pastor – Jesus Cristo- para não nos perdermos do caminho. A ovelha desatenta que desvia o olhar do Pastor por estar distraída com a fragilidade das outras ovelhas termina por se perder, por se extraviar.

Sendo Cristo a Porta, entrar na Igreja pelo batismo é entrar na vida em Cristo. Jesus, o Bom Pastor/Porta quis continuar no mundo o seu pastoreio através da sua Igreja. Consequentemente deixar-se conduzir pela Igreja, por suas orientações, por sua doutrina, por seus sacramentos é deixar-se conduzir por Cristo: “Quem vos ouve a mim que ouve, quem vos despreza a mim despreza, e quem me despreza, despreza aquele que me enviou” (Lc 10, 16). Quantos batizados desprezando a Igreja que os gerou para Cristo no Batismo, foram seduzidos por ladrões e assaltantes com promessas de cura, de prosperidade, de sucesso, e terminaram desiludidas, enganadas, extorquidas por falsos pastores?

Rejeitar o pastoreio da Igreja é rejeitar o pastoreio de Cristo que, na pessoa de Pedro, confiou a Ela a continuidade da sua missão de apascentar o rebanho até chegarem à glória do céu, ao lhe entregar o poder das chaves. É preciso vigilância para não cairmos na tentação de apascentarmos a nós mesmos, burlando o que a Igreja orienta quanto a vida cristã, aos sacramentos. Quantas pessoas se dizem católicas, mas quando procuram a Igreja para um sacramento se deixam guiar pela mentira, para fugir à disciplina da Igreja. Sobretudo no que diz respeito ao batismo, mentido para dar aos filhos padrinhos que não são expressão alguma de fé católica ou que estão em aberta contradição com ela: espíritas, indiferentes, amasiados, maçons ou pessoas de vida pública duvidosa, apostatas, hereges. Agindo com a mentira fazem-se opositores do Cristo Pastor/Porta que é a Verdade.

Cristo é a Porta, cujas chaves estão depositadas nas mãos da Igreja. Jesus é a porta que guarda, que protege as ovelhas, que impede que elas sejam atacadas pelos lobos, pelos ladrões e salteadores. A porta é o lugar da acolhida dos amigos e simultaneamente proteção contra os inimigos. Jesus é a Porta que nos dá novamente acesso aos tesouros divinos: a graça, o perdão dos pecados, a salvação, a vida eterna.

Somente por esta Porta Santa, Jesus, temos acesso a Deus: “Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem” (Jo 10, 9). Esta Porta se encontra aberta a todos quantos se arrependem dos seus pecados, se convertem e se abrem à graça do Evangelho: “Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas” (IPd 2, 25).

Converter-se é voltar-se para Cristo, é passar pela Porta que nos conduz à vida, deixando para trás tudo aquilo que é contrário à nossa condição de ovelhas, de discípulos de Jesus. Quanto mais desapegados do mundo com suas seduções, mais facilmente podemos passar por esta Porta. Por esta Porta passa mais facilmente não quem acumulou muitas riquezas, quem tem mais influência, muitos bens, quem tem mais poder, mas os simples e humildes de coração, aqueles que acolhem com alegria o projeto de vida em Cristo.

Por ora, a Porta que nos leva à salvação está aberta, mas chegará a hora na qual se fechará, à exemplo do que ocorreu na parábola das dez virgens: “Enquanto foram comprar o azeite, o noivo chegou, e as que estavam prontas entraram com ele para o banquete de núpcias. E fechou-se a porta” (Mt 25, 10). Enquanto a Porta está aberta é o tempo da misericórdia, é o tempo da conversão, não permitamos que as distrações mundanas nos impeçam de entrar pela Porta. Pois, uma vez que a porta se fechar é chegado o tempo do juízo, pela porta do juízo somente os justos passarão. Assim canta o salmista: “Abri-me as portas da justiça: entrarei para dar graças ao Senhor. É esta a porta do Senhor, os justos entram por ela” (Sl 118, 19-20).


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)