Posse, 31 de maio de 2026 – A
Solenidade da Santíssima Trindade – A
Leituras:
Ex 34, 4b-6.8-9/ Dn 3, 52.53.54/IICor 13, 1-13
Evangelho: Jo 3, 16-18

“Creio em Deus que Pai, Filho e Espírito Santo”

Celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade é se curvar diante do mistério mais excelso da fé cristã, é professar, com toda a Igreja, a fé no verdadeiro Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, Trindade de pessoas, unidade de natureza. Sem a Revelação divina e a ação do Espírito Santo não poderíamos conhecer a Deus na sua vida íntima, mas Ele, por sua bondade infinita e em vista da salvação do mundo, nos revelou o seu rosto. Por isso, podemos dizer: “Creio em Deus que Pai, Filho e Espírito Santo”.

O conhecimento do verdadeiro Deus somente é possível graças à revelação divina e à ação do Espírito Santo. Assim o confirma a Palavra de Deus: “Ninguém pode dizer: “Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo” (ICor 12, 3).

Dada a inseparável unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, quem conhece o Filho conhece o Pai (cf. Jo 14, 8-9). O Filho é a graça do Pai para a salvação do mundo, expressão máxima do amor de Deus, encarnado neste mundo para nos conduzir à vida eterna. Não é por acaso que a saudação inicial da Santa Missa diz: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”.

Cristo veio para nos arrancar da desgraça na qual fomos lançados pelo pecado, veio para restabelecer o projeto original do Pai para cada um de nós, veio para nos devolver a verdadeira vida. Para tomarmos parte na graça de Cristo é preciso crer: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Crer é entrar na posse da vida eterna é ser envolvido pela graça de Cristo e o amor do Pai que, não somente nos amou, mas nos amou “tanto”. Ou seja, sem medida, um amor nunca antes visto ou experimentado na história humana. Um amor diante do qual, por nós mesmos não teríamos condições alguma de corresponder. Isto somente é possível se o Espírito Santo habita em nós.

Deus nos amou e nos ama ‘Tanto’ e, para correspondermos a este amor, Ele nos enviou o seu Espírito: “E porque sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai!” (Gl 4, 6). Deus se revelou no seu Filho para nos comunicar o dom da filiação, o dom da salvação. Ser salvo é ser envolvido inteiramente pelo o amor de Deus.

Contemplando o mistério da Santíssima Trindade somos convidados a forjar nossa existência neste mundo a partir da graça do Filho, do amor do Pai e da comunhão do Espírito Santo. Assim, viver fora da graça de Deus deveria estar fora da cogitação do cristão, não obstante os nossos pecados. Quantos que permanecem por longo tempo em pecados horríveis de adultério, pecados contra a natureza, fornicação, roubo, homicídio, drogadição, falsas doutrinas, corrupção, jogatina, violência, pornografia, sem procurar a graça de Deus mediante o sacramento da reconciliação!

A Igreja nos convida a viver assiduamente os sacramentos para que não nos apartemos da graça de Cristo. Sem o alimento espiritual – a Eucaristia –, sem a Palavra de Deus que nos exorta, sem a oração, sem confissão frequente, somos facilmente arrastados para a desgraça, ou seja, a vida envolvida pela escravidão dos pecados, sem a graça de Deus.

O mistério da Trindade é também um apelo para que nos deixemos envolver pelo o amor do Pai, um amor que salva, que redime, sempre disposto a perdoar. No amor de Deus está a resposta para a superação do ódio fratricida entre os homens, entre as nações. Deus nos amou ‘Tanto’, porque o amamos tão pouco? Tristemente, caímos tantas vezes na tentação de amar tantas coisas mais do que a Deus. Não esqueçamos o primeiro mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas”.

Por fim, à luz da Santíssima Trindade, somos chamados a viver em comunhão. Em primeiro lugar em comunhão com Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, em comunhão com a Igreja, em comunhão com os irmãos. A divisão é consequência do pecado, é sinal de subserviência ao demônio, o Senhor nos quer vivendo em comunhão. Este foi o pedido de Jesus na sua oração: “Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um” (Jo 17, 22). Que esta celebração de hoje renove em cada um de nós a disposição para vivermos envolvidos pela graça do Filho, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)