Solenidade de Pentecostes – A
Posse, 24 de maio de 2026
Leituras: At 2, 1-11/Sl 103 (104)/ ICor 12, 3b-7
Evangelho: Jo 20, 19-23
“O que é que pode faltar à alma que pode dizer ao Espírito: ‘Vem’?”
Esta pergunta feita de forma retórica por Santa Helena Guerra, ‘Apóstola do Espírito Santo’, nos situa diante da riqueza do Espírito Santo que nos cumula de toda sorte de bens espirituais. Ela pôde testemunhar isso na sua própria vida. Vivendo numa época na qual ainda era imposta às mulheres muitas restrições esta mulher de fé, conduzida pelo Espírito Santo destacou-se pelo estudo, pela caridade e pelo empenho na renovação espiritual da Igreja.
Sua história de vida testemunha que o Espírito Santo não conhece barreiras de sexo, de cultura, de condição social, quando não lhe pomos resistência Ele faz de nós instrumentos aptos para a transformação do mundo e a santificação da Igreja. Com seus escritos, com seu testemunho, Santa Helena Guerra foi precursora do redescobrimento da importância do Espírito Santo na vida da Igreja e de cada um dos fiéis.
Com o seu testemunho de docilidade ao Espírito Santo podemos compreender algo muito significativo, renovamos a Igreja não querendo mudar os outros, mas reformando a nossa própria vida à partir da ação do Espírito Santo. Quantas vezes nos enganamos querendo mudar os outros, achando que assim renovaremos a Igreja. Somente renovamos a Igreja quando procuramos renovar a nós mesmos pela ação do Espírito Santo.
Supliquemos, pois, nesta noite a efusão do Espírito Santo, sobre o mundo, sobre a Igreja, sobre nós, para que possamos ser testemunhas credíveis do evangelho. Ademais, celebrar a Solenidade de Pentecostes é lembrar também a qual vocação somos chamados – a santidade. Pois celebrar pentecostes e acolher a efusão do Espírito Santo, Aquele que é Santo e santifica e quer nos santificar. De modo que, terminados sesses dias de novena, precisa aparecer na vida de todos nós, na paróquia, nas famílias, nas pastorais, nos movimentos, os frutos da ação do Espírito Santo: uma fé mais intensa e comprometida, maior empenho apostólico, a reconciliação com Deus e com os irmãos, o testemunho do evangelho com a vida e com as palavras.
Permitamos que o Espírito Santo realize em nós as maravilhas do Evangelho: a conversão, o perdão dos pecados, a fé, a esperança, a caridade, a fidelidade a Deus, os milagres, a comunhão. Permitamos que o fogo abrasador do Espírito Santo queime em nós tudo o que é palha: a mentira, a luxuria, a jogatina, a drogadição, a fornicação, a preguiça, as infidelidades, o medo, a covardia, a soberba, a desonestidade, a violência, o orgulho. Somente temos diante de nós dois caminhos: deixar-nos abrasar pelo fogo do Espírito Santo que nos impulsiona ao arrependimento, à conversão; ou permanecer nos pecados e sermos conduzidos ao fogo inextinguível do inferno.
O fogo do Espírito Santo é um fogo abrasador que acalenta, que salva, que purifica, que liberta, que ilumina, que converte. Enquanto que o fogo do inferno é um fogo que queima, que destrói, que humilha, que cega a visão, que causa dor, desespero e sofrimentos indizíveis. Por qual fogo queremos ser envolvidos ou queimados? O fogo do inferno – a morte eterna – ou o fogo do Espírito Santo, o fogo do amor abrasador, o fogo da salvação?
É o Espírito Santo que ilumina a consciência dos fiéis para que possam reconhecer o verdadeiro Deus e professar a fé no senhorio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim atesta a Palavra de Deus: “Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo” (ICor 12, 3). É o Espírito Santo que nos une numa só fé, num só batismo, num só Senhor, numa mesma esperança e caridade, tornando-nos aptos para viver em comunidade como irmãos. É Ele quem nos sustenta no apostolado, na pastoral, no serviço aos irmãos para a edificação da Igreja. Por isso, não nos cansemos de pedir: “Vinde Espírito Santo!” Pois “Nada falta à alma que diz ao Espírito Santo: Vem!” Santa Helena Guerra! Rogai por nós!
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




