Posse, 10 de maio de 2026
VI Domingo do tempo comum – A
Leituras: At 8, 5-8.14-17/Sl 65 (66)/ IPd 3, 15-18
Evangelho: Jo 14, 15-21
…Sem Jesus Cristo o mundo não teria beleza, não teria esperança, não teria salvação
O mundo precisa impreterivelmente do anúncio do evangelho, necessita que os discípulos de Jesus O testemunhem, porque sem Jesus Cristo o mundo não teria beleza, não teria salvação, não teria esperança. Já no início da pregação do evangelho São Pedro havia compreendido isto com clareza ao exortar: “Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir” (IPd 3, 15).
Contudo, somente pode dar esperança quem a tem, quem carrega Jesus dentro de si e O testemunha nas suas palavras, nos seus atos, no seu pensamento, na sua vida por inteiro. De batizados que são contratestemunho o mundo e a Igreja estão cheios, precisamos de batizados que sejam discípulos e testemunhas do Senhor, não como quem carrega um fardo, antes fervorosos, cheios de alegria, destemidos, que não ocultem sua identidade de católicos, nem por covardia, nem por uma vida contrária ao evangelho, nem por timidez.
Quando o nosso testemunho é autêntico o evangelho é comunicado, transmitido, antes mesmo que venhamos a usar as palavras. Pois onde o evangelho se enraíza de imediato seus frutos aparecem: milagres, curas físicas, conversões (o milagre moral), os espíritos maus são expulsos, ressurge a alegria, é concedido o dom do Espírito Santo, famílias são reconciliadas, matrimônios são restaurados, inimigos se reconciliam, incrédulos abrem-se a graça da fé, pessoas antes escravizadas pelo pecado voltam à graça de Deus.
É deste evangelho que tem que falar a vida dos que creem em Jesus Cristo, dos que amam o Senhor. A vida dos que amam a Cristo, dos que O acolheram pela fé, dos que procuram viver segundo os seus mandamentos, é uma vida que evangeliza por si mesma. Isto contradiz por completo o contratestemunho de tantas personalidades da política, da mídia, famosos, pessoas desconhecidas, ou mesmo padres, bispos e religiosos, leigos, que carregam o nome de católicos, mas cuja vida é a inversão completa do evangelho, é o reflexo de uma vida ante evangelho, oposta ao que significa ser católico.
Quem age assim, mesmo que batizado, mesmo que carregue o nome de cristão católico, não comunica ao mundo esperança, pelo contrário, são causa de ruína para si e para o outros, não entram no caminho da fé, da salvação, nem permitem que outros possam entrar, por força do seu contratestemunho. Pensemos, por exemplo, em católicos que defendem o aborto, que promovem a ideologia de gênero, que desprezam a família e o matrimônio cristão, que olham com desprezo para os pobres e marginalizados, que promovem a violência, materialistas, ambiciosos, prepotentes.
Não há amor a Cristo e a sua Igreja, quando nos colocamos fora do evangelho, ou mesmo contra o evangelho. Para sermos testemunhas da esperança temos que permanecer em Jesus e levar uma vida digna para que também Ele permaneça em nós, assim como expressa o evangelho: “Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós” (Jo 14, 20).
Ser testemunha da esperança é uma consequência do amor a Deus e da habitação da Trindade em nós. A vida segundo os mandamentos de Deus é a expressão externa de que O amamos, é o testemunho concreto de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo habita em nós. É esta presença divina, pela graça, que faz de todo batizado uma testemunha do amor e da esperança neste mundo de peregrinos.
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




