Posse, 23 de agosto de 2026
XXI Domingo do Tempo comum – A
Leituras: Is 22, 19-23/Sl 137(138)/Rm 11, 33-36
Evangelho: Mt 16, 13-20

A Igreja nasceu da fé para a glória

A Igreja de Cristo nasceu da fé em Cristo para a fé em Cristo, para a glória com Cristo. A profissão de fé de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 16) tem um alcance para além do pessoal, tem um alcance eclesial. Consequentemente, a profissão de fé de Pedro ocupa um lugar singular na origem da Igreja, elo sacramental entre a terra e o céu.

Sem a fé em Cristo, “Deus e homem verdadeiro”, a Igreja não teria razão de ser. A Igreja existe para conduzir todos os homens à fé em Cristo, único caminho de salvação. A Igreja nasceu do querer de Cristo para ser no mundo sinal e instrumento de salvação.

A Igreja existe para impedir o avanço do inferno, do mal, do pecado, afim de que conservemos a liberdade de filhos de Deus que o Senhor nos concedeu com o mistério da sua paixão, morte e ressurreição. Eis aqui uma das razões pela qual o inferno se levanta contra a Igreja. Uma vez que ofuscar a Igreja, como fazem as ideologias; ferir a sua unidade, como fazem os apostatas, os cismativos e hereges; tolher a sua liberdade, como costumam fazer os governos autoritários, é a tentativa vã de regimes ateus, indiferentes, secularistas, que sabem que na fé da Igreja no Messias, Filho do Deus vivo, reside a esperança do homem peregrino neste mundo.

Por mais que se levantem contra a Igreja, por mais que a ataquem, por mais que o contra testemunho de muitos dos seus filhos cause descrédito e desorientação, temos uma promessa: “…o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Haja visto que a Igreja não é uma obra humana; a Igreja é Opus Dei, Obra de Deus. É Cristo quem a constrói e a edifica.

Cristo sustenta e mantém a Igreja, não obstante os pecados dos seus filhos e o ataque dos seus inimigos. A Igreja foi construída, edificada por Cristo para ser elo de ligação entre o céu e a terra, ao confiar a Pedro o poder das chaves: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus…” (Mt 16, 19). Daqui deriva o poder e autoridade da Igreja sobre tudo aquilo que se refere à fé e a moral e sobre tudo aquilo que se refere a salvação do homem e ao bem de toda a criação.

Como guardiã e comunicadora da fé, elo de ligação entre o céu e a terra, a Igreja não pode se omitir de iluminar com a luz do evangelho nenhuma realidade histórica que se relacione com o ser humano e seu destino eterno. Daí a urgência da evangelização, afim de que este mundo seja transformado pela profissão de fé em Cristo e na adesão ao seu Evangelho.

Que, mediante a árdua missão da Igreja, uma legião de homens e mulheres de todas as nações, culturas e línguas diferentes, possam chegar a professar como Pedro e com Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”, Aquela que dá vida ao mundo. E nós, que já professamos está fé não tenhamos medo de testemunha-la com as palavras, mas sobretudo com a vida.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)