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quinta-feira, 9 abril, 2020 - 23:48 PM

XXV Domingo do Tempo Comum

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“Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração” (Lc 16, 3)

Nada do que temos é resultado de uma conquista somente nossa. Se não tivéssemos recebido de Deus a vida, os talentos, a graça, a inteligência, a liberdade, sequer existiríamos. Porque não temos o poder de criar do nada. Somente Deus pode trazer a existência aquilo que antes não existia. Por isso, tudo o que temos Dele recebemos. Precisamos saber usar os bens e os talentos que Dele recebemos para socorrer os pobres da terra, afim de que eles nos acolham como amigos no céu (cf. Lc 16, 3).

Somos administradores dos bens que Deus nos confiou. Estes bens precisam ser administrados em vista da glorificação de Deus e da nossa salvação. Pois o maior desejo de Deus a respeito do homem é a sua salvação: “Ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (ITm 2, 4). Os bens materiais usados imprudentemente para manter uma vida de ostentação e pecado, ou se são bens adquiridos de forma injusta, são um grave obstáculo à salvação de quem assim procede.

A via segura para a salvação passa pela capacidade de usar os bens para aliviar o sofrimento dos pobres e necessitados, motivados pelo amor a Deus e ao próximo. Como nos exorta São Pedro: “Acima de tudo, cultivai, com todo o ardor, o amor mútuo, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (IPd 4, 8). Assim os bens, quando adquiridos de forma honesta e postos a serviço dos pobres da terra, afim de tê-los como amigos no céu, podem contribuir para a salvação daqueles que atuam com benevolência e generosidade.

Um amor operativo que não se contenta em buscar seus interesses, mas que se preocupa e ocupa com a causa dos pobres e dos humildes, com aqueles que estão na prostração que, como afirma Jesus, nos precederão no céu: “Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas estão vos precedendo no Reino de Deus” (Mt 21, 31). Aquele que procura aliviar as dores, carências e penúrias dos pobres, dos doentes, dos que estão passando por grande sofrimento, mantém vivo em seus corações um autêntico desejo do céu: “Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40).

O amor é o mediador da salvação, ele nos abre a porta do Céu. Assim, existe um único caminho para a salvação, um único mediador entre Deus e os homens: “o homem Cristo Jesus” (ITm 2, 5), o Amor de Deus encarnado entre nós. Que se fez mediador entre Deus e homens numa entrega de amor, administrando os seus bens eternos em favor dos homens pecadores. O homem Cristo Jesus salva os homens partilhando os seus bens eternos – a redenção, a graça, a filiação – com os homens pecadores. Os homens pecadores se salvam partilhando os seus bens terrenos com os pobres e sofredores, acolhendo com humildade os bens eternos que vem de Deus, rezando incessantemente por todos os homens, sendo fiel nas pequenas coisas de cada dia.

O querer de Deus é salvação dos homens, mas qual é o nosso querer? E preciso estar atento para não permitir que os desejos terrenos sufoque o desejo da salvação. Porque “Ninguém pode servir a dois senhores… Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16,13). Os homens que tem esperança de salvação tornam-se servidores de Deus, e servem-se do dinheiro, sobretudo para o bem dos que mais necessitam.

Houve um tempo no qual os cristãos desejavam ardentemente uma vida e uma morte santa. Desejo este que parece estar esquecido na vida de muitos dos discípulos de Jesus. Muitos no máximo desejam uma vida tranquila, cercada de comodidades, na morte não querem nem pensar. Assim, quantos tem vivido e morrido sem o interesse em procurar o auxílio dos bens eternos que nos são dados pelos sacramentos. Quantos cristãos vegetando, longe da Eucaristia, da confissão, da oração, da comunidade cristã. Quantos morrendo sem a graça da unção dos enfermos?! Uma boa morte não é uma morte sem dor, sem sofrimento, é aquela acompanhada pelo conforto dos sacramentos, dos bens do céu. Somente morre na pobreza quem despreza os bens do céu.

Que o querer de Deus – a nossa salvação e o conhecimento da verdade – se torne o nosso querer. Que este desejo ardente nos motive a viver neste mundo com sobriedade, atento ao sofrimento e as necessidades dos outros, procurando ser fiel a Deus nas coisas pequenas bem como nas grandes.

Pe. Hélio Cordeiro dos Santos
Formador do seminário maior N. S. de Fátima
Brasília – DF

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Criada em 16 de outubro de 1979, é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no Brasil, sufragânea da Arquidiocese de Brasília. Pertence à província eclesiástica de Brasília e ao Regional Centro-Oeste da CNBB.

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