Em nossos dias vemos avançar agressiva e violentamente a ideologia de gênero que tem procurado se impor goela abaixo desconstruindo todo e qualquer valor. E para alcançar tal fim os mentores desta ideologia tem se infiltrado sistematicamente nas instituições públicas a fim de coloca-las a serviço de um perverso sistema de engenharia antropológica que visa estabelecer um paradigma antropológico não fundado na sua estruturação biológico-natural, mas num modelo falso de homem que se autoconstrói e se autodetermina à despeito da sua natureza.
Podemos fazer uma comparação entre a engenharia antropológica e a engenharia social pensada pelos ideólogos socialistas que visavam estabelecer uma sociedade construída segundo um projeto elaborado numa escrivaninha de escritório e estabelecido por meio da força política. E como bem sabemos as sociedades socialistas estabelecidas segundo este modelo só produziram morte, guerra, violência e miséria.
De igual modo um homem fruto de um mero projeto humano elaborado numa escrivaninha e imposto politicamente, também só pode produzir morte, violência é ódio. Desafio qualquer pessoa a provar que uma sociedade fundada sob pares homossexuais possa subsistir por si mesma. No máximo poderá durar umas poucas décadas, pois é incapaz de gerar vida. Pois a relação entre dois iguais está reduzida ao limite do prazer banal, em que o outro não passa de um objeto. A única relação capaz de gerar vida é entre um homem e uma mulher, porque somente onde há diferença pode haver complementariedade. Entre dois iguais isto é impossível.
Uma das últimas estratégias para a imposição desta ideologia ganhou forma nas audiências públicas municipais para o estabelecimento dos planos municipais de educação que pegou muitos pais e educadores de surpresa, quase sem tempo para reagir a ameaça que rondam seus filhos em idade escolar. Uma manobra desonesta e desrespeitosa que visa instrumentalizar a educação em vista da corrupção das novas gerações para servir aos interesses de uma minoria ditatorial, que diz não ter voz, no entanto usa de todo aparato público e midiático a seu favor.
Um outro argumento sempre presente na boca dos que defendem a ideologia de gênero é que eles não são respeitados. Porém, a situação é bem inversa, basta ver as cenas de deboche, de desrespeito, ultraje, e violência contra o sentimento religioso de tantos brasileiros, perpetrado pelas baixarias públicas que são denominadas como “paradas gays”, como recentemente em São Paulo, e que são reproduzidas por esse Brasil afora. Externo aqui o meu repúdio a esta ofensa abusiva à fé, daqueles que reclamam que não tem liberdade, não tem voz, mas se acham no direito de ultrajar da forma mais vil a fé de um povo.
É necessário que estejamos atentos, porque não basta nos indignarmos enquanto cristãos. Diante desta realidade de ofensa e desrespeito nos urge duas posturas irrenunciáveis. Primeiro saber quem são os políticos que patrocinam tais eventos para não sermos seus cúmplices nas urnas na hora do nosso voto, e quem são os demais patrocinadores para boicotarmos os seus produtos e serviços. Não adianta indignar-se contra esta realidade, quando a sua casa é “nutrida”, ou melhor, envenenada pelo conteúdo diário das novelas globais e outros programas mais que estão a serviço desta mentalidade. E ainda é preciso que os cristãos saiam da indiferença e da apatia e tenham militância política ativa. Pois se os que defendem esta ideologia e tantas outras ganham espaços cada vez mais amplos é porque a covardia de tantos cristãos lhes deixa espaço livre para tal.
E em segundo lugar é preciso rezar constantemente pelos nossos inimigos: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:44).
Por fim, oração é necessária para que o ódio dos inimigos não apague do nosso coração a capacidade de amar e perdoar. Pois a vitória do cristianismo nos momentos mais momentos mais críticos de perseguição foi sempre o amor, esta é a única força capaz de vencer o mal difuso no mundo. Como nos recorda São Maximiliano Maria Kolbe: “O ódio não é força criativa, força criativa é o amor.

Por Pe. Hélio Cordeiro, Residente no Colégio Pio Brasileiro em Roma.