Posse, 14 de junho de 2025
XI Domingo do tempo comum – A
Leituras: Ex 19, 2-6ª/Sl 99 (100)/Rm 5, 6-11
Evangelho: Mt 9, 36 – 10,8

“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9, 37)

A Igreja é a messe de Jesus para a salvação e a reconciliação do mundo com Deus. De modo que a Igreja e seus pastores é a resposta de amor e de compaixão de Nosso Senhor pela humanidade cansada e abatida por tantos pecados e tantos males que assolam este mundo e arrastam as almas para a desilusão.

É notório o descompasso da situação da humanidade, por um lado, um desenvolvimento tecnológico impressionante, que sequer conseguimos acompanhar, facilidades; por outro lado, o permissivismo que destrói qualquer sinal de disciplina ou de domínio próprio, um cansaço existencial que tem levado a muitos a questionar o sentido da própria vida. Como responder a este sintoma existencial envenenado? A resposta é a mesma – Jesus – Nele podemos descansar as nossas almas, podemos refazer as forças diante do abatimento.

É de Jesus o convite: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso” (Mt 11, 28). Também as multidões que acompanhavam Jesus estavam abatidas por viverem num mundo violento, marcado por tiranias, por opressões desmedidas, por escravidões, por enfermidades incuráveis, por vexações demoníacas, por mentiras. A elas e a nós Jesus dirige o mesmo convite a descansar nossas almas em sua suave e consoladora presença, de modo particular na oração, na Santa Missa, na adoração ao Santíssimo Sacramento.

Todos que pertencemos à messe de Jesus, que descansamos Nele as nossas almas, somos chamados a ser portadores da sua consolação para o mundo. Somos membros da messe, mas sejamos também operários da sua misericórdia. Certo que aos pastores da Igreja cabe uma responsabilidade maior em ser no mundo operários da misericórdia divina. Contudo, isto não comporta uma exclusividade, todos os fiéis batizados, cada um a seu modo e segundo a sua vocação, são chamados também a se fazerem operários na messe do Senhor.

A evangelização tem pressa, as dores do mundo ecoam em todos os cantos, almas cansadas e abatidas aguardam por consolação, esperam a boa nova do evangelho. Isto constitui um apelo para que todas as ovelhas se façam também operárias na vinha do Senhor. Talvez estejamos nós mesmos, cansados e abatidos, mas não estamos sós, o Senhor caminha conosco, nos sustenta com sua graça, não podemos perder a esperança. Descansemos em Cristo por um lado e mãos à obra por outro.

Quisera tivéssemos uma abundância de operários fervorosos como catequistas, na cidade e na zona rural; uma multidão de jovens moças decididas a assumir a vocação religiosa; uma legião de rapazes decididos a assumir a vocação sacerdotal; um numeroso número de jovens se preparando bem para o matrimônio; uma numerosa quantidade de fiéis no Apostolado da Oração, na Pastoral Familiar, no Terço dos homens, nas equipes de evangelização; muitos batizados inseridos nas estruturas políticas, na economia, na justiça, na cultura, na educação, para moldá-las segundo o evangelho.

Temos que admitir que a constatação de Jesus permanece: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9, 37). Poderíamos mesmo ainda acrescentar, além de poucos, muitos são desanimados, sem compromisso, sem fervor, medrosos. O evangelho que recebemos da Igreja a cada domingo precisa ser levado conosco para fermentar o mundo com a palavra de Deus.

Temos que suplicar ao Senhor que faça de nós operários fervorosos da sua messe, que tenhamos a coragem de anunciar sem medo: “O Reino dos Céus está próximo”, que as doenças, o mal, a desilusão, a morte, as opressões, os corruptos, os obreiros do mal, os demônios, não tem a última palavra. Cristo pagou um alto preço por cada um de nós. “Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores” (Rm 5, 8). O Senhor não deixará perder aqueles que salvou por alto preço, ouçamos a voz de Deus e deixemo-nos guiar por ela, para que assim não sejamos envolvidos pelas trevas do erro que assola este mundo.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)