Posse, 05 de julho de 2026
XIV Domingo do Tempo Comum – A
Leituras: Zc 9,9-10/Sl 144 (145)/Rm 8, 9.11b
Evangelho: Mt 11, 25-30
“Vinde a mim todos vós que estais cansados…” (Mt 11, 28)
Cristo é o refúgio seguro para o homem pecador, cansado e fatigado sob o peso do fardo do pecado, da desesperança, do medo, da morte, das desventuras desta vida. Somente a paixão do Senhor é o remédio para erguer este mundo decaído, para libertar o homem do pecado e encher novamente de esperança o seu espírito abatido. Quando nos aproximamos de Cristo com humildade e sinceridade nos damos conta da maldade do pecado que nos envolvia e da graça que nos dá o Senhor.
Dada a nossa natureza ferida pelo pecado original somos inclinados a pensar que o pecado nos traz alguma alegria, alguma satisfação, algum contentamento, algum descanso. Contudo, isto é uma percepção em tudo enganadora, pois pelo contrário, o pecado atrai sobre nós a ruína: moral, espiritual, material, social e comunitária.
Enquanto ruina moral o pecado nos tira do caminho da virtude, do bem, da verdade nos precipitando num estado de servidão, de vícios, de cegueira. Em suma, o pecado nos priva da autêntica liberdade, tornando-nos escravos de afetos desordenados, de coisas, pessoas, substâncias, manias.
Do ponto de vista espiritual, o pecado nos coloca numa situação semelhante ao inferno, porque nos separa da amizade com Deus. A diferença é que, enquanto estamos como peregrinos neste mundo podemos, ainda podemos nos arrepender, nos converter, procurando a graça de uma boa confissão, reconstruindo a comunhão com Deus, com a Igreja, com os irmãos. Não nos enganemos, estar no pecado é uma espécie de inferno temporal.
O pecado também arrasta o homem para a ruina material, caracterizada pelo esbanjamento dos bens, afim de custear os vícios: cigarro, bebidas, entorpecentes, jogatina, prostituição, luxos desmedidos, ostentação. É o dízimo de Satanás, cuja consequência é a morte eterna. Os recursos empregados no pecado deveriam ser empregados para o digno sustento da família, para um lazer sadio, para a caridade, para a formação cultural, para apoiar a Igreja na sua missão evangelizadora com o Dízimo.
Quanto ao alcance social, o pecado segrega as pessoas encerrando-as no isolamento, sozinhas ou em grupos, agregados pelos mesmos vícios e pecados. O pecado destrói a comunhão no matrimônio, na família, na comunidade/Igreja, confundindo as pessoas para que se tratem como rivais. Mas Deus nos quer vivendo como irmãos.
O homem escravizado pelo pecado vive para si, é um egoísta, vive rastejando atrás das satisfações carnais. O homem liberto por Cristo, embora pecador, se deixa guiar pelo Espírito Santo, procurando viver para Deus, orando, jejuando, se penitenciando, para fazer morrer em si o procedimento carnal, marcado pela prepotência, pela luxuria, ambições desmedidas, mentiras e vícios de toda espécie.
O pecado produz no homem um cansaço espiritual, uma desilusão com a vida, com o amor. Trata-se de um fardo do qual somente Jesus pode nos libertar. Ouçamos, pois, o convite que o Senhor nos dirige: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso” (Mt 11, 28-29).
O Senhor não nos promete riqueza, fama, sucesso, milagres, mas se prontifica para nos dar descanso para das nossas fadigas, das fraquezas, dos medos, dos fracassos, dos pecados. A participação na Santa Missa bem celebrada, sem barulho, sem celular, sem música ensurdecedora, com cantos adequados à liturgia, valorizando o silêncio, as pausas, descansa sem igual nossa alma. O recolhimento diante do Santíssimo Sacramento, a oração atenta e silenciosa, a meditação da Palavra de Deus, a Eucaristia, uma boa confissão, descansa nossa alma. Quem tem fé descansa sempre no Senhor, nunca separado Dele. É Ele quem nos convida: “Vinde vós, sozinhos, a um lugar deserto e descansai um pouco”. É ilusão procurar descanso nos vícios, no pecado, na hibernação digital, no celular.
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




