Posse, 09 de agosto de 2026
XIX Domingo do Tempo Comum – A
Leituras: IRs 19, 9ª.11-13ª/Sl 84 (85)/ Rm 9, 1-5
Evangelho: Mt 14, 22-23

“Tenho no coração uma grande tristeza e uma dor contínua…” (Rm 9, 2).

No desígnio de Deus de salvar a humanidade estava previsto a eleição de um povo, que haveria de ser uma luz, um sinal para todos os povos – Israel. A este povo Deus cumulou de bençãos, dons espirituais, e o cercou de cuidados e carinho para que no tempo devido pudesse acolher a graça da salvação. Mas este povo rejeitou a salvação rejeitando o Salvador. Daí a tristeza de Paulo, também ele judeu, também ele tendo rejeitado e perseguido os que seguiam a Cristo, inclusive muitos irmãos seus provenientes do seu próprio povo.

Paulo Manifesta sua tristeza porque o seu povo, a quem estava destinada a filiação adotiva, a glória, as alianças, as leis, o culto, as promessas os patriarcas, em suma, a salvação; não obstante todos estes dons, se fechou à graça de Cristo. Tinham tudo o que precisavam para a salvação, mas preferiram a rebelião contra Cristo.

Semelhante tristeza sentimos também nós por tantos irmãos, de fé e de sangue, a quem amamos tanto, que, à exemplo do povo eleito receberam a graça da filiação no batismo, receberam o penhor da vida futura na Eucaristia, receberam a efusão do Espírito Santo na Crisma, se quisessem poderiam reconciliar-se com Deus e com a Igreja na confissão; poderiam constituir uma comunhão de vida para toda vida no matrimônio, poderiam consagrar-se inteiramente à serviço de Deus no sacerdócio, na vida religiosa; poderiam receber a consolação que vem de Deus na hora da enfermidade e da morte. Contudo, preferem viver como rebeldes e morrer como órfãos. Hoje esta rebelião contra Cristo não se dá apenas a nível individual, as nações ocidentais inteira passam por um momento de grave apostasia. Receberam o maior tesouro que poderiam receber – a Fé em Cristo. mas a agora a rejeitam em nome de um laicismo cínico e tirânico, em detrimento de ideologias nefastas, nas quais tem lugar para tudo e todos menos para Cristo.

À Igreja foi confiado todo o tesouro espiritual necessário para a salvação – o Depositum Fidei. Mas tantos destinatários deste tesouro preferem o esterco do mundo, o pecado ao invés da riqueza da graça de Deus. Preferem o Baal do bem estar a qualquer custo, do lucro, do sucesso, do prazer, do entretenimento, ao invés de Cristo. Neste sentido, a tristeza de São Paulo permanece.

Diante da riqueza de Cristo oferecida a todos pela Igreja há aqueles que rejeitam o tesouro da fé, dos sacramentos, da oração e da Palavra. Em suma rejeitam Cristo, o Messias. Ora temos que dizer, não há um outro Messias a não ser Cristo; há um só Salvador e Senhor, Cristo Jesus, quem escolhe seguir outro messias, se faz escravo de um ídolo.

Há também aqueles que receberam os tesouros da fé e dos sacramentos, mas desconhecem o seu valor, por isso enterram os talentos que receberam de Deus na Igreja. Estes, embora sendo filhos de Deus, membros da Igreja, pelo batismo, não procuram se alimentar da seiva espiritual que é Cristo.

Por outro lado, são numerosos os que receberam estes tesouros, cultivando-os com diligência e humildade, antecipando o Céu na terra. estes se santificam e santificam o mundo e a Igreja, estes são sal da terra e luz do mundo. Estes podem dizer com São Paulo:” Mas pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril” (ICor 15, 10).

Que a graça de Deus, que nos foi comunicada em Cristo, não seja estéril na vida de nenhum dos seus discípulos. Se parássemos para pensar que a mesma graça que foi dada à Virgem Maria, aos Apóstolos e a todos os santos, do passado e do presente, também é oferecida a nós?! Também podemos ser santos, também podemos ir contra a corrente por amor e fidelidade a Cristo. Também podemos enfrentar e vencer as ventanias do mundo, se permanecemos unidos à Barca de Pedro, na qual está Cristo, Aquele ao qual pertence o domínio e o poder sobre todas as realidades celestes e terrestres. Diante das tribulações, perseguições, fraquezas, tempestades, supliquemos a Ele como Pedro: “Senhor, salva-me!” (Mt 14, 30).


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)