Posse, 02 de agosto de 2026
XVIII Domingo do tempo comum – A
Leituras: Is 55,1-3/Sl 144 (145)/Rm 8, 35.37-39
Evangelho: Mt 14,13-21

Amar a Deus sobre todas as coisas

A água sacia a sede, o pão sacia a fome, mas somente Deus, com sua graça, com seu amor, pode saciar a alma do homem. Não somos apenas um aglomerado de células que vegeta neste mundo esperando a morte chegar, para por um fim à esta mísera existência. De Deus viemos, para Ele haveremos de voltar, temos uma vocação eterna, por isso não temos necessidade somente de pão, de água, de bem estar, também precisamos do amor de Deus.

Isto explica o porquê, mesmo vivendo numa das épocas mais abastadas materialmente falando, temos tantas pessoas angustiadas, sem sentido na vida, desiludidas. Não basta estar com a barriga cheia, embora isto seja necessário, e devemos trabalhar com firmeza para vencer a fome e a pobreza lá onde ela está instalada; não é suficiente possuir toda quinquilharia tecnológica que aparece todos os dias. Temos que reconhecer precisamos de Deus, do seu amor, da sua graça, sem o qual não seríamos nada. Mais ainda precisamos amar a Deus, porque quem não O ama, não ama mas nada nem ninguém de verdade.

Diante disso é sempre atual a conclusão que nos oferece a Palavra de Deus: “Deus é amor: aquele que permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele” (IJo 4, 16-17). De modo que, separar-se do amor é separar-se de Deus. Consequentemente, uma vida sem amor, sem valor seria uma vida sem Deus.

O amor de Deus por nós, manifestado em Jesus Cristo é de sempre e para sempre. Aconteça o que acontecer, Deus continua a nos amar. Enquanto que para nós amar a Deus é uma possibilidade, o amor de Deus por nós é uma realidade incondicional para todo o sempre, é próprio da natureza de Deus nos amar.

Aqui vale ressaltar que Nosso Senhor não atraia as multidões somente por seus milagres, pela força das suas palavras, Jesus atraia porque exalava amor, porque amava a todos. Ele é o amor de Deus encarnado que vence toda espécie de ódio, rancor, medo ou desalento.

A multiplicação dos pães e dos peixes não foi somente partilha, como alguns costumam afirmar, foi resultado também da intervenção amorosa de Deus, que veio em socorro das necessidades materiais e espirituais do ser humano. Diante das necessidades e misérias humanas o Senhor se move por compaixão. Não permitamos, pois, que nos separemos do amor de Deus. Se nos separarmos deste amor, seja pelo que for, perdemos tudo. Não permitamos que nenhum pecado, pessoa, coisa, status, posição social venha nos separar do amor de Deus. Antes procuremos, com todas as forças nos separar, o quanto antes, daquilo que quer ou nos tem separado do amor de Deus.

Tendo experimentado na sua própria carne a força transformadora do amor de Deus que o sustentou no meio de tribulações, angustias, nudez, perseguição, fome, perigo, espada, São Paulo vai ao extremo para revelar a profundidade deste amor: “Tenho a certeza de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos nem os poderes celestiais, nem o presente nem o futuro, nem as forças cósmicas, nem a altura, nem a profundeza, nem outra criatura qualquer, será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Cristo Jesus, Nosso Senhor” (Rm 8, 38 -39).

Diante do amor de Deus todos os outros amores são relativos, somente o amor de Deus é absoluto. Precisamos reencontrar-nos com este amor, pois é dele que o mundo precisa. Não permitamos que o amor ao mundo e às suas pompas, nos venha afastar do amor de Deus. Não é possível amar a dois senhores, não é possível amar o mundo e amar a Deus ao mesmo tempo. Portanto, redescubramos o primeiro mandamento da lei de Deus: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Mandamento este um tanto esquecido na vida de muitos cristãos e, praticamente anulada pela cultura arrogante e prepotente deste nosso convulso tempo.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)