Posse, 04 de outubro de 2026
XXVII Domingo do tempo comum – A
Leituras: Is 5, 1-7/Sl 79 (80)/Fl 4, 6-9
Evangelho: Mt 21, 33 -43

A Igreja é a vinha do Senhor

A parábola da vinha nos lembra uma das definições da Igreja destacadas pela Lumen Gentium, 6 : “Ela foi plantada pelo celeste Agricultor como vinha eleita (Mt 21, 33-43 par.; Is 5,1 ss.). A verdadeira videira é Cristo, que dá vida e fecundidade aos ramos, isto é, a nós que, pela Igreja, permanecemos nele e sem o qual nada podemos fazer (Jo 15, 1-5). Esta compreensão evidencia o fundamento cristológico da Igreja, a sua origem não é humana, Ela é a vinha do Senhor, sua origem é divina.

Como tal, constitui um grave desvio a ação daqueles que desde dentro ou de fora pretendem moldar a Igreja conforme as agendas ideológicas de cada época, ou segundo a sua imagem e semelhança. Estes desconhecem que a Igreja é de Cristo, fundada por Ele em favor dos homens. Ela é a vinha do Senhor, que dela e de seus filhos espera frutos de justiça, bondade e santidade.

É o Senhor quem cuida da sua vinha, a Igreja, na espera que ela produza bons frutos a seu tempo. Que frutos o Senhor espera da sua vinha e dos que a ela pertencem? Frutos de justiça/fidelidade, de bondade, de santidade. Estes frutos virão se formos fiéis ao Senhor.

Como Igreja, como filhos da Igreja, como operários na vinha do Senhor, como pedras vivas deste edifício espiritual, não podemos nos deixar levar pela tentação de ser infiéis a Cristo para ser fiel ao espírito do tempo, às ondas culturais, à ideologias perversas. Para nós há uma só fidelidade, à qual não podemos renunciar jamais – a fidelidade a Cristo. Quanto mais fiel a Cristo a Igreja for mais frutos espirituais produzirá; quanto mais amor tivermos a Cristo, mais fecunda a Igreja será.

Que não nos aconteça substituir a fidelidade a Cristo pela busca de satisfação dos afetos, pela sedução do mundo. Que não nos aconteça abandonar o tesouro da eucaristia devido a servidão do mundo. Que nossa fé, nossa pertença a Igreja, vinha do Senhor, seja motivada pela fidelidade e amor a Cristo. Sem esta motivação a pertença a vinha do Senhor, a Igreja, continuará frágil, superficial, ocasional.

Mais do que nunca, dado o avanço da secularização, da indiferença religiosa, da heresia protestante que destila ódio contra a fé católica, enquanto se curva diante do baal/dinheiro, do pluralismo, precisamos nos firmar na vinha do Senhor, sem a qual não teríamos acesso a seiva da graça de Deus, dos sacramentos, da oração. Não permitamos que o complexo cenário cultural e político, venha nos dividir. Divisor é o Demônio. O Senhor quer a sua vinha em comunhão, pois a ausência da comunhão torna a vinha do Senhor estéril.

A que e a quem serviria uma vinha estéril? A não ser para ser pisoteada, devastada por toda espécie de intempéries. A Igreja é do Senhor, não nossa, não somos nós quem salvamos a Igreja, é Cristo que nos salva por meio dela. É Ele quem dá vida e fecundidade a sua Igreja. Enquanto a nós sigamos a recomendação de São Paulo: “Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças” (Fl 4, 6).

Se queremos que a vinha do Senhor, a Igreja, produza frutos em abundância, frutos de justiça e de santidade, substituamos o espírito de crítica, de murmuração, de divisão, de rivalidade, de preguiça, de comodismo, o mundanismo, pelo espírito de oração, de humildade, de serviço, de comunhão, de conversão, de entrega da vida, do tempo a Deus.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)