Posse, 26 de julho de 2026
Memória de Sant’Ana
Dia mundial dos avós
XVII Domingo do tempo comum – A
Leituras: IRs 3,5.7-12/Sl 118 (119)/ Rm 8, 28-30
Evangelho: Mt 13, 44 -52
“Esta oração de Salomão agradou ao Senhor” (IRs 3, 12)
“Esta oração de Salomão agradou ao Senhor” (IRs 3, 12). Ora, bem sabemos que a oração é uma obra boa e necessária, tanto que nos exorta a palavra de Deus: “…orai sem cessar” (ITss 5, 16). Contudo, é preciso ressaltar que a oração sincera exige o comprometimento do coração e da vida, exige humildade. Porque também a oração pode ser instrumentalizada por um coração pervertido. Assim como tantas coisas santas são profanadas, quando utilizadas ou praticadas separadas do seu fim ou em vista de um mal.
Dito isto, temos que dizer que a oração, a Santa missa, os exercícios de piedade e de religião não podem ser desprezados, porque há quem os faça de forma degenerada. Isto nos adverte para estarmos vigilantes na oração, para que esta seja agradável a Deus, não para nos agradar, para nos fazer sentir bem, ou para nos trazer algum consolo afetivo. Oração e conversão do coração andam juntas. Não é por acaso que Jesus denúncia: “Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim” (Mt 15, 8). Oramos sem cessar para manter a porta do coração aberta à comunhão com o Senhor, para que nossa vida seja transformada pela graça que vem Dele.
No livro de IReis 3, a oração de Salomão nos aponta o caminho para orar de modo agradável a Deus. Vejamos o conteúdo da sua oração: “Dá pois, ao teu servo, um coração compreensivo capaz de governar o teu povo e discernir entre o bem e o mal” (IRs 3, 9). Salomão podia ter pedido qualquer outra coisa, mas ele pede a Deus o dom de um coração compreensivo e que saiba discernir entre o bem e o mal.
O conteúdo da oração de Salomão é um convite a nos perguntar: ‘A minha oração agrada ao Senhor?’ Ou tenho rezado procurando agradar a mim mesmo, procurando satisfazer minhas necessidades pessoais? Aqui é preciso destacar que um dos aspectos da oração que agrada a Deus é a humildade, reconhecer-se pequeno, reconhecer-se necessitado de Deus, do seu auxílio, da sua graça, confiar Nele.
Ademais, a nossa oração é agradável a Deus quando é simultaneamente sustentada pelo testemunho de vida e por um coração que sabe amar. Sem estes elementos, podemos levantar de madrugada pra rezar o rosário, ir à missa todos os dias, conhecer a Bíblia de cor e salteado, mas se não permitimos que todas estas importantes realidades moldem o nosso coração, transforme a nossa vida, a oração perde a sua força. O santo rosário, a missa diária, a perscrutação da palavra de Deus é remédio para curar o coração rancoroso e luxurioso, a alma promíscua, para dominar a língua faladeira e imprudente.
A boca que se abre para orar não pode ser a mesma que se escancara para maldizer, para caluniar, para difamar, para fofocar, para dizer palavrões imundos. A boca que recebe o corpo do Senhor na Eucaristia não pode ser a mesma que mata o irmão com palavras, que arrota orgulho e prepotência. O coração que acolhe Cristo na Eucaristia, na Palavra, também deve fugir de toda espécie de pecado, de mal, da impureza, dos sites imundos, da luxuria, da ambição.
A oração de Salomão foi agradável a Deus porque ele não usou da oração para pedir coisas, poder, riqueza, nem a destruição dos seus inimigos. Ele pediu dons, estes são para o serviço do próximo. Diante disto o Senhor lhe concedeu um coração sábio e inteligente para a edificação do seu povo. Peçamos a Deus, pois, que nos conceda um coração que saiba orar de modo agradável a Ele, um coração que saiba discernir o bem e o mal, e ficar sempre com o que é bom, justo e santo.
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




