Posse, 30 de agosto de 2026
XXII Domingo do Tempo Comum – A
Dia Nacional do Catequista
Leituras: Jr 20, 7-9/ Sl 62 (63)/ Rm 12, 1-2
Evangelho: Mt 16, 21 -27
O que poderá alguém dar em troca de sua vida? (Mt 16, 26)
“O que poderá alguém dar em troca de sua vida? (Mt 16, 26). Esta pergunta de Jesus nos ajuda e recolocar a vida no caminho no qual ela precisa estar – orientada para Deus. A vida é dom de Deus, nada fizemos para merecê-la, nada podemos dar em troca. Contudo, podemos doar a nossa vida Àquele de quem a recebemos – Jesus.
Quando nos entregamos inteiramente a Deus, sem reservas, a vida se eterniza, somos libertos do egoísmo, da tentação de viver para nós mesmos, em busca de satisfações imediatas e de alegrias passageiras. Quando compreendemos que nossa vida é para Cristo, para os irmãos, um “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12, 1), a vida ganha um sabor de eternidade. Somente Cristo pode nos salvar por inteiro, Ele é a vida.
Certo que não podemos dar absolutamente nada em troca da nossa vida. No entanto, podemos entregar a vida a Cristo, esta entrega de vida a Ele comporta três exigências: renunciar a si mesmo, tomar a própria cruz e seguir o Senhor. Aqui entendamos seguir como imitar. O cristão, em virtude do batismo é um outro Cristo.
“Se alguém que me seguir renuncie a si mesmo…” (Mt 16, 24). Para quem decidiu seguir a Cristo fazer a Sua vontade é o mais importante. O cristão faz da vontade de Cristo sua própria vontade, procurando levar uma vida simples, santa, justa, sóbria, mesmo que para isso precise ir contra a corrente. Enquanto a cultura vigente nos ensina que temos que nos empoderar, ter sucesso a qualquer custo, Cristo nos convida a renunciar a tudo que não convém ao cristão, para fazer da vida um serviço a Deus e aos irmãos, afim de que seja um “culto espiritual” agradável a Deus.
Para o cristão o culto a Deus nãos se restringe à Santa Missa, aos sacramentos, o culto a Deus se prolonga na vida mediante a vivência das virtudes, o combate contra os vícios e contra toda espécie de mal. Viver sobriamente, amar de verdade as pessoas, ser fiel à família, à vocação assumida, trabalhar para a transformação do mundo, ser honesto nos negócios, respeitar as pessoas, não fazer-se de justiceiro, rejeitar a cultura da violência, da morte, da luxúria, da drogadição é também prestar um culto espiritual a Deus.
Para seguir a Jesus é preciso também que cada um tome sua própria cruz. O que não significa impor sofrimentos desnecessários sobre nós, mas outrossim, aceitar com serenidade, à luz da fé, aquilo que não podemos mudar: aceitar a história que temos, a família na qual nascemos, os limites físicos, morais, intelectuais ou espirituais que carregamos. Não se trata de acomodar-se, num fatalismo indigno, mas de aceitar o que realmente não pode ser mudado, aceitar o pai, a mãe, os irmãos que temos, aceitar a morte dos entes queridos, as enfermidades, as contrariedades, o que não depende de nós.
Certo que cada um tem suas próprias cruzes, contudo estas não tornam menos digna a vida que recebemos de Deus. Por outro lado, o valor da vida não se mede pelo que temos, pelo que conquistamos, pelo sucesso, a vida tem um valor em si mesma, este valor encontra-se ancorado em Deus – autor da vida.
Dando estes passos nos colocamos no seguimento de Jesus, aquele que pode salvar-nos por inteiro. Seguir Jesus é imitá-lo, amar o que Ele ama, rejeitar o que Ele rejeita. Amar os pobres, os sofredores, ter compaixão pelos doentes e feridos, partilhar o pouco que temos, empenhar-se na construção de um mundo mais justo e solidário, ser desapegado dos bens desta terra, fugir das distrações fúteis, cultivar um espírito constante de oração e de entrega a Deus, fazer da vida uma doação. Assim, salvamos nossa vida não na medida que conquistamos o mundo, mas à medida que a entregamos a Deus.
Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)




