Posse, 25 de outubro de 2026
XXX Domingo do tempo comum – A
Leituras: Ex 22, 20-26/Sl 17 (18)/ Its 1, 5.10
Evangelho: Mt 22, 34-40

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e de todo o entendimento” (Mt 22, 37).

Amados irmãos, diletas irmãs, na cena do evangelho que acabamos de ouvir Jesus, Nosso Senhor, aproveita uma ocasião de profundo desamor, para nos apontar o caminho do amor. Os fariseus e os mestres da Lei o questionam a respeito de qual é o maior mandamento. Não por que quisessem saber, para serem melhores, mas para experimentar o Senhor, para pô-Lo à prova.

Os fariseus e os mestres da Lei aproximam-se de Jesus e perguntam: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei!” (Mt 22, 36). Chamam a Jesus de Mestre, enquanto estão dispostos a obedecer apenas as suas consciências distorcidas e o seu coração malvado. Sua intenção não era a de conhecer o mandamento, era a de colocar Jesus em dificuldade. Os fariseus e mestres da Lei não estavam dispostos a amar, mas a odiar, a criar dificuldade, a descreditar Jesus. Mas também a Eles Jesus anuncia o mandamento novo do amor.

Assim, Jesus reafirma com clareza qual é o maior mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o entendimento” (Mt 22, 37). Trata-se de um amor que envolve o homem por inteiro. O coração: um amor que passa pelos afetos; a alma: um amor que molda o ser mais profundo do homem, sua memória, inteligência e vontade; o entendimento: uma razão formada e iluminada pelo amor de Deus, capaz de pensar e de promover o bem.

Em seguida Jesus indica o desdobramento irrenunciável do maior mandamento: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 39). Um amor que se estende inclusive aos inimigos (cf. Mt 5, 43). A exigência do amor aos inimigos deriva do modo como Deus nos ama. Deus ama a todos, consequentemente, se o amor que amamos deriva do Seu amor, somos chamados a amar também os inimigos.

O amor a Deus e ao próximo resume toda a Lei, resume os mandamentos. Trata-se de um amor que passa pelos afetos, mas os ultrapassa, é um amor que se torna obediência, como conclui São João: “Pois este é o amor a Deus: observar os seus mandamentos” (IJo 5, 3). Viver à margem dos mandamentos divinos, na sua desobediência, é o mais grave ato de desamor a Deus, ao próximo e a si mesmo.

A pior ruina do ser humano é a de uma vida sem amar a Deus, haja visto que esta é a sua vocação mais profunda – amar a Deus. Quem não é capaz de amar a Deus, não é capaz de amar verdadeiramente a mais nada nem ninguém.

No que diz respeito ao amor ao próximo, deve estar orientado, sobretudo para com os mais sofredores e fragilizados: o estrangeiro, a viúva, o órfão, o pobre, o enfermo, cuja dor clama aos céus. Daí a importância da caridade, da partilha, da solidariedade a nível pessoal e comunitário; e da justiça social a nível estatal, afim de minimizar a condição dos que mais sofrem, dos menos favorecidos, criando mecanismos e programas que os promovam de forma digna e corresponsável.

O amor a Deus e ao próximo enraizado nas estruturas públicas e privadas deve refletir em salários mais justos, no cuidado com a dignidade humana; no respeito à vida humana, da sua concepção ao seu ocaso natural; no acesso à saúde e à educação; na erradicação da violência e dos vícios.

Por fim, nos diz o Pe. Antônio Vieira: “Amar é querer bem àquele a quem se ama”. Se queremos, pois, transformar a imagem caduca deste nosso mundo, comecemos por amar a Deus, para que assim tenhamos condições de amar também o próximo. Supliquemos constantemente a Deus que nos faça crescer na fé, na caridade e na esperança.


Homilia redigida pelo Pe. Hélio Cordeiro, Pároco da Paróquia Sant’Ana em Posse (GO)